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Atualizado às: 01 de janeiro, 2007 - 17h42 GMT (15h42 Brasília)
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Premiê somali pede ajuda de tropas da União Africana
premiê da Somália, Ali Mohamed Gedi
Premiê da Somália em entrevista coletiva nesta segunda-feira
O premiê da Somália, Ali Mohamed Gedi, pediu o envio urgente de tropas da União Africana para ajudar na estabilização do país.

"Gostaríamos que observadores militares e tropas de paz venham o mais rápido possível para nos ajudar", disse Gedi nesta segunda-feira.

O premiê também pediu que o Quênia feche a fronteira com a Somália para evitar que milícias islâmicas fujam.

O governo do Quênia ainda não deu uma resposta formal, mas um correspondente da BBC na cidade de Garissa, no leste do país, afirma que viu um grande comboio de veículos blindados se dirigindo para a fronteira do país com a Somália.

'Sob controle'

Tropas do governo transitório somali, apoiadas pelo Exército etíope, tomaram a cidade de Kismayo (300 km da capital Mogadíscio) nesta segunda-feira, de acordo com informação dada pelo premiê.

"Kismayo já está sob controle do governo. Os islâmicos fugiram", disse Gedi à agência de notícias France Presse. "O tempo das facções rebeldes na Somália acabou", disse, acrescentando que os moradores da capital do país receberam ordens para entregar as armas e caso se recusem, serão "forçados" a isso.

A cidade portuária era o reduto mais forte das forças da União das Cortes Islâmicas (UCI), uma rede formada por 11 tribunais islâmicos, financiados por comerciantes e empresários preocupados com a crescente anarquia na cidade e que no ano passado tinha assumido o controle de boa parte do país.

O recuo da UCI em Kismayo é considerado um duro golpe para a milícia e foi ocasionado por conta de uma intensa ofensiva do Exército etíope nos últimos dias, realizada com artilharia, tanques e aviões.

Baixas

Apesar de o Exército ainda manter a ofensiva, Gedi disse que "não há um número grande de baixas". O avanço das tropas de Somália e Etiópia é cauteloso, pois se teme a existência de minas e armadilhas.

Mapa da Somália
A UCI deixou Kismayo e ruma para a fronteira do Quênia

Cerca de 3 mil soldados da UCI estavam em Kismayo e as milícias agora se movimentam em direção à fronteira com o Quênia, que já teve a segurança reforçada.

O presidente queniano, Mwai Kbaki, anunciou no domingo passado que estava convocando um encontro de países da região para discutir a situação.

A Etiópia apóia o governo somali contra uma milícia que daria abrigo a membros da Al-Qaeda, acusação negada pela UCI.

Resistência

Um dos comandantes da UCI, o xeque Yaqub Ishak, confirmou que as tropas da milícia deixaram Kismayo, mas que "não deixariam de combater o invasor etíope".

Em junho de 2006, a UCI tomou o controle de parte das regiões sul e central da Somália depois de derrotar diversas facções rebeldes.

Analistas afirmam que a milícia islâmica ganhou apoio popular pela sua habilidade de superar rivalidades entre clãs diferentes, cuja disputa foi responsável pelo caos que assola a Somália desde a derrubada do presidente Mohammed Siad Barre em 1991.

As Nações Unidas estimam que cerca de 30 mil pessoas tenham sido desalojadas pelo combate.

Miliciano somaliSomália
Conheça os detalhes do conflito no país do leste africano.
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