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Atualizado às: 29 de dezembro, 2006 - 12h20 GMT (10h20 Brasília)
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Governo interino quer aprovar lei marcial na Somália
Premiê somali, Ali Mohammed Ghedi
Premiê Ghedi não voltava a Mogadíscio havia quatro anos
O governo interino da Somália, que na quinta-feira retomou o controle da capital, Mogadíscio, tentará aprovar lei marcial para assegurar o controle sobre o país.

O primeiro-ministro, Ali Mohammed Ghedi, disse que tentará reunir apoio parlamentar para aprovar o regime a partir do sábado.

"Este país vivenciou anarquia, e para restaurar a segurança é preciso mão forte, em especial com as milícias", disse Ghedi.

Um dia depois de retomar o controle da capital, o governo começou a negociar com líderes tribais que dominam a cidade uma maneira de consolidar seu poder.

Mas correspondentes questionam a capacidade do governo interino de conter as milícias islâmicas, depois que a União das Cortes Islâmicas (UCI) abandonou a cidade e se dirigiu para o reduto de Kismayo, vilarejo 500 km ao sul de Mogadíscio.

É a primeira vez que o governo interino controlará Mogadíscio, antes dividida em diversos clãs e, depois, sob a lei islâmica imposta pela UCI.

Para tomar o controle da capital, o governo precisou do apoio de tropas da Etiópia, que descreveu seu papel no conflito apenas como "limitado".

Mapa da Somália
Milicianos fugiram para Kismayo, ao sul de Mogadíscio

Um porta-voz do governo interino disse à BBC que as tropas que entraram na cidade eram majoritariamente formadas por somalis, mas Bereket Simon, conselheiro do primeiro-ministro etíope, esclareceu que soldados do país vizinho permaneciam vigilantes na periferia da cidade.

Uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 6 de dezembro previa o envio de forças da União Africana para a Somália, mas proibia expressamente a participação de soldados dos países fronteiriços.

A União Africana pediu à Etiópia que retire suas forças da Somália. Mas não houve consenso no Conselho de Segurança da ONU para aprovar uma resolução pedindo a retirada de todas as tropas estrangeiras do país.

UCI

O analista para África da BBC, David Bamford, avaliou que existe possibilidade de as forças da UCI adotarem a estratégia de guerrilha no conflito, mas ressaltou que o movimento saiu enfraquecido dos combates da última semana.

No campo diplomático, uma delegação da milícia islâmica está em Nairobi, capital do vizinho Quênia, para encontros com autoridades quenianas e diplomatas estrangeiros.

Segundo uma matéria no jornal queniano Daily Nation, homens armados tomaram conta da fronteira entre a Somália e o Quênia. O fluxo de refugiados continuará sendo permitido, mas apenas em pontos específicos, afirmou o jornal.

A ONU estima que mais de 30 mil pessoas abandonaram suas casas durante o conflito da última semana.

"Centenas de jovens foram mortos nos últimos dias", disse à BBC o coordenador dos programas humanitários da ONU na Somália, Eric Laroche.

"Cerca de 800 de ambos os lados, mas especialmente do lado islâmico, foram hospitalizadas", ele acrescentou.

Miliciano somaliSomália
Conheça os detalhes do conflito no país do leste africano.
Combatente islâmicoSomália
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