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Tropas etíopes avançam rumo a reduto islâmico na Somália | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Tropas etíopes, apoiadas por tanques e artilharia, deixaram neste sábado a capital da Somália, Mogadíscio, rumo ao porto de Kismayo, no sul do país. O porto está 500 quilômetros ao sul da capital e é um reduto das milícias islâmicas expulsas de Mogadíscio na quinta-feira pelas forças da Etiópia, que estão na Somália para apoiar o governo de transição. O líder da União das Cortes Islâmicas (UCI), Sharif Sheikh Ahmed, convocou os moradores de Kismayo a lutar contra as tropas etíopes. "Nosso país está sob ocupação, por isso decidimos lutar. Estamos nos preparando para expulsar esses invasores do país", disse Ahmed a uma multidão reunida em um estádio para a celebração do festival religioso muçulmano do Eid. Retomada de poder A capital foi retomada pelo governo interino, com o apoio das forças etíopes, depois de permanecer sob o controle dos islâmicos por seis meses, entre junho e dezembro de 2006. A UCI é uma união de 11 tribunais islâmicos financiados por comerciantes e empresários de Mogadíscio preocupados com a crescente anarquia na cidade. Desde a queda do último governo efetivo da Somália, em 1991, o país vivia sob o regime dos comandantes de guerrilha, que exerciam o poder com base no terror, até que a UCI assumiu o controle. Agora, em uma campanha iniciada há 10 dias, o governo interino (formado em 2004 e com sede na cidade de Baidoa) conseguiu retomar o controle da capital com a ajuda das forças etíopes e começou a negociar com líderes tribais que dominam a cidade uma maneira de consolidar seu poder. Diálogo O presidente do governo de transição, Abdullahi Yusuf Ahmed, que ainda não entrou em Mogadíscio, teve neste sábado um encontro com o primeiro-ministro, Ali Mohamed Gedi, na cidade de Afgoye. No encontro, Gedi pediu diálogo com os grupos islâmicos. Em dez dias de campanha, as forças etíopes expulsaram os islâmicos da maior parte do sul da Somália.
Segundo o correspondente da BBC Peter Biles, os grupos islâmicos poderão acabar encurralados entre Kismayo e a fronteira com o Quênia. Moradores de Kismayo afirmaram ter visto jatos de guerra etíopes sobre a cidade neste sábado. Em Mogadíscio, forças da Somália, com o apoio de tropas etíopes, já controlam o quartel-general da UCI e a antiga embaixada dos Estados Unidos. Crise Uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 6 de dezembro previa o envio de forças da União Africana para a Somália, mas proibia expressamente a participação de soldados dos países fronteiriços. A União Africana pediu à Etiópia que retire suas forças da Somália. Mas não houve consenso no Conselho de Segurança da ONU para aprovar uma resolução pedindo a retirada de todas as tropas estrangeiras do país. Além dos confrontos entre forças rivais, a Somália enfrenta uma grave crise de falta de alimentos devido a recentes inundações, que ocorreram após um período de seca. A ONU estima que mais de 30 mil pessoas abandonaram suas casas durante o conflito da última semana. Na sexta-feira, mais de 150 refugiados que deixavam a Somália morreram depois que dois barcos naufragaram na costa do Iêmen. |
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