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Atualizado às: 29 de dezembro, 2006 - 20h23 GMT (18h23 Brasília)
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Naufrágio mata 150 refugiados somalis no Iêmen
O primeiro-ministro somali Ali Mohammed Ghedi em Mogadíscio
Primeiro-ministro somali quer 'mão firme' para controlar o país
Mais de 150 refugiados que deixavam a Somália morreram depois que dois barcos naufragaram na costa do Iêmen, informou nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas (ONU).

Os dois barcos eram parte de um grupo de quatro que naufragaram ao tentar fugir da patrulha costeira iemenita, após cruzar o Golfo de Áden.

De acordo com a ONU, 34 corpos já foram encontrados, e 357 pessoas foram resgatadas.

O incidente ocorreu em meio à tentativa do governo interino da Somália de controlar a "anarquia" em que se encontra o país. Na quinta-feira, tropas do governo retomaram o controle da capital Mogadíscio.

"Este país vivenciou anarquia, e para restaurar a segurança é preciso mão firme, em especial com as milícias", disse o primeiro-ministro Ali Mohammed Ghedi.

O líder do governo interino afirmou que tentará reunir apoio parlamentar para aprovar neste sábado uma lei marcial no país.

Negociações

Um dia depois de retomar o controle da capital, o governo começou a negociar com líderes tribais que dominam a cidade uma maneira de consolidar seu poder.

Mas correspondentes questionam a capacidade do governo interino de conter as milícias islâmicas, depois que a União das Cortes Islâmicas (UCI) abandonou a cidade e se dirigiu para Kismayo, vilarejo 500 km ao sul de Mogadíscio.

É a primeira vez que o governo interino controla Mogadíscio, antes dividida em diversos clãs e, depois, sob a lei islâmica imposta pela UCI.

Para tomar o controle da capital, o governo precisou do apoio de tropas da Etiópia, que descreveu seu papel no conflito apenas como "limitado".

Mapa da Somália
Milicianos fugiram para Kismayo, ao sul de Mogadíscio

Um porta-voz do governo interino disse à BBC que as tropas que entraram na cidade eram majoritariamente formadas por somalis, mas Bereket Simon, conselheiro do primeiro-ministro etíope, esclareceu que soldados do país vizinho permaneciam vigilantes na periferia da cidade.

Uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 6 de dezembro previa o envio de forças da União Africana para a Somália, mas proibia expressamente a participação de soldados dos países fronteiriços.

A União Africana pediu à Etiópia que retire suas forças da Somália. Mas não houve consenso no Conselho de Segurança da ONU para aprovar uma resolução pedindo a retirada de todas as tropas estrangeiras do país.

Vítimas

O analista para África da BBC, David Bamford, avaliou que existe possibilidade de as forças da UCI adotarem a estratégia de guerrilha no conflito, mas ressaltou que o movimento saiu enfraquecido dos combates da última semana.

No campo diplomático, uma delegação da milícia islâmica está em Nairóbi, capital do vizinho Quênia, para encontros com autoridades quenianas e diplomatas estrangeiros.

Segundo uma matéria no jornal queniano Daily Nation, homens armados tomaram conta da fronteira entre a Somália e o Quênia. O fluxo de refugiados continuará sendo permitido, mas apenas em pontos específicos, afirmou o jornal.

A ONU estima que mais de 30 mil pessoas abandonaram suas casas durante o conflito da última semana.

"Centenas de jovens foram mortos nos últimos dias", disse à BBC o coordenador dos programas humanitários da ONU na Somália, Eric Laroche.

"Cerca de 800 de ambos os lados, mas especialmente do lado islâmico, foram hospitalizadas", acrescentou Laroche.

Miliciano somaliSomália
Conheça os detalhes do conflito no país do leste africano.
Combatente islâmicoSomália
Tropas do governo e da Etiópia avançam rumo à capital; veja
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