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Atualizado às: 10 de agosto, 2006 - 03h53 GMT (00h53 Brasília)
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Ex-membro da inteligência é preso na Argentina
'Automotores Orletti', em Buenos Aires, foi um centro de detenção clandestino
Um ex-alto integrante dos serviços de inteligência da Argentina foi preso nesta quarta-feira por suposto envolvimento em violações de direitos humanos durante o regime militar no país, de 1976 a 1983.

Raúl Guglielminetti, foragido há vários anos, foi detido em uma fazendo perto da capital, Buenos Aires, poucas horas depois que um juiz emitiu um mandado de prisão contra ele.

Guglielminetti é procurado em conexão com crimes cometidos em uma fábrica de veículos, conhecida como "Automotores Orletti", e que supostamente foi usada pelo governo militar como centro de detenção e tortura durante o chamado "Plano Condor", um sistema de intercâmbio de prisioneiros dos diversos regimes militares do Cone Sul nos anos 70.

Além da detenção de Guglielminetti, o juiz federal argentino Daniel Rafecas expediu ordens de prisão para dois ex-oficiais da Força Aérea por sua atuação no centro de detenção que funcionou no bairro de Floresta, em Buenos Aires.

No mesmo caso, Rafecas pediu a prisão de quatro ex-integrantes do Exército uruguaio e a extradição de outros seis.

A notícia da prisão de Guglielminetti vem um dia depois que o presidente argentino, Néstor Kirchner, lamentou publicamente a demora na tramitação dos processos por crimes contra a humanidade reabertos logo depois da anulação das leis que anistiavam ex-agentes do governo, em junho de 2005.

Isto permitiu a retomada de processos contra centenas de ex-militares e ex-policiais que tinham sido interrompidos em 1986, quando a anistia foi sancionada.

Organizações de defesa dos direitos humanos na Argentina disseram que pelo menos 30 mil pessoas foram seqüestradas, torturadas e mortas durante a chamada "guerra suja", perpetrada pelo regime militare contra dissidentes políticos.

Na semana passada, um tribunal na Argentina condenou um ex-policial a 25 anos de prisão em conexão com violação de direitos humanos durante os governos militares.

Julio Simón, conhecido como "Turco Julián", foi preso por seu envolvimento no desaparecimento de um casal - o chileno José Poblete e sua mulher, Gertrudis Hlaczik - e seqüestro de seu bebê em 1978.

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