70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 24 de março, 2006 - 05h31 GMT (02h31 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Milhares marcam 30 anos do golpe militar na Argentina

Vigília na Praça de Maio, em Buenos Aires
Ongs dizem que ditadura deixou 30 mil desaparecidos
Pelo menos cinquenta mil pessoas, segundo os organizadores, lotaram a Praça de Maio, em Buenos Aires, numa vigília para marcar os 30 anos do golpe militar na Argentina.

A manifestação começou na noite de quinta-feira e terminou às três da manhã da sexta, hora do golpe militar contra a gestão da então presidente Isabelita Perón no dia 24 de março de 1976.

A partir daquela madrugada e durante sete anos, até 1983, os argentinos tiveram, segundo entidades de direitos humanos, cerca de trinta mil desaparecidos.

Outros crimes de cometidos naquele período, chamado de “anos de chumbo”, foram os casos de torturas nas mais de seiscentas prisões clandestinas, além de cemitérios desconhecidos e seqüestros dos filhos dos presos políticos, ainda bebês.

No início do ano, a entidade Avós da Praça de Maio localizou mais um daqueles recém-nascidos – o 83º – que agora têm quase trinta anos de idade.

Mais de quatrocentos jovens, denunciam elas, continuam vivendo com identidades falsas, sem conhecer os nomes dos pais e a própria história de vida.

Em muitos casos, destacam as Avós, eles vivem com seqüestradores dos verdadeiros pais ou pessoas ligadas a eles.

A vigília na Praça de Maio, em frente à presidência da República, foi uma homenagem às Mães da Praça de Maio, que usando seus tradicionais lenços brancos, em referência às fraldas dos filhos, acompanharam o espetáculo.

Discurso

Foi uma noite de shows de grupos musicais argentinos para uma multidão que erguia bandeiras e podia ver, junto ao palco, um manto com fotos em preto e branco dos desaparecidos políticos.

A noite de “memória”, como outros a chamaram, faz parte da série de atividades que marcam a semana e, principalmente, este dia 24 de março – feriado nacional, a partir deste ano.

Existe expectativa para o discurso do presidente Nestor Kirchner, agendado para o meio-dia.

Chegou-se a especular que ele anunciaria a anulação, por decreto, da anistia dada pelo ex-presidente Carlos Menem, no início dos anos noventa, aos chefes militares, dos anos de repressão.

Mas ninguém no governo confirmou a informação. Hoje, a maioria dos que integraram a cúpula do governo militar, como Jorge Rafael Videla, cumpre prisão domiciliar por ter mais de setenta anos de idade.

Videla e outros foram julgados no governo do ex-presidente Raul Alfonsín, nos anos oitenta, anistiados mais tarde, e hoje cumprem prisao pelo roubo dos bebês – causa que não estava prevista naquele perdão.

Na quinta-feira, Kirchner se emocionou ao homenagear o coronel reformado Juan Jaime Cesio, que perdera o posto por discordar das ações dos ditadores.

“Eles eram jovens comuns como eu e viraram monstros quando chegaram ao poder”, disse Cesio ao canal de televisao TN (Todo Noticias).

As outras emissoras, como a América, mostraram depoimentos de sobreviventes, de bebês, agora homens, localizados, e de mães de desaparecidos.

É uma espécie de maratona de entrevistas, debates, filmes e revelações – como imagens de livros queimados e invasões dos soldados às casas e sindicatos -, além de exposições de arte e fotos.

Tortura

Na tentativa de movilizar e informar, com mais detalhes, sobre o que ocorreu naquele período, o ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, ex-preso político, convidou diplomatas e ministros de outros países para uma visita à ESMA (Escola de Mecânica da Marinha).

Ali, no bairro de Nuñez, na capital argentina, funcionou o principal centro de tortura do país.

“Por ali passaram mais de quatro mil desaparecidos políticos”, recordou Taiana.

Para o ex-ministro da Justiça do governo Alfonsín e um dos principais juristas do país, Ricardo Gil Laavedra, aqueles foram anos de “extrema violência”, onde foi realizado o “terrorismo de Estado”.

Para ele, o embrião da ditadura tinha chegado um pouco antes que aquele 24 de março de 1976. Nasceu, como disse, com a “Tríplice Aliança”, força clandestina que já atuava no governo de Isabelita e que provocou a morte de mais de quatrocentas pessoas, a maioria guerrilheiros, disse à imprensa argentina, num embate contra o que seria o caminho para a ditadura.

“Muitos argentinos apoiaram a chegada dos militares, como espécie de salvação. Mas depois se viu o que eles estavam fazendo”, disse o comentarista da TN, Nelson Castro.

“Imagine se eles não tivessem perdido a guerra das Malvinas, que foi decisiva para a volta da democracia? Imaginem o que teria, então, sido de nós?”.

Mães protestam contra o desaparecimento de seus filhos na Argentina (foto de arquivo)Ditadura argentina
Envolvidos têm vida normal, diz Nobel da Paz.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade