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Atualizado às: 24 de março, 2006 - 01h58 GMT (22h58 Brasília)
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Ford e Mercedes são alvos de ataque em Buenos Aires

Manifestação de mães de desaparecidos na ditadura argentina
Ditadura provocou a morte de pelo menos 10 mil
Na véspera dos 30 anos do golpe militar argentino, manifestantes jogaram uma bomba de fabricação caseira numa agência de automóveis da Ford, no bairro de Liniers, em Buenos Aires.

Pouco depois, outra bomba semelhante, e também chamada de “lanzapanfletos”, foi detonada por policiais numa concessionária da Mercedes Benz, no Parque Patricios.

As duas montadoras foram acusadas de apoiar a repressão militar, entre 1976 e 1983, entregando sindicalistas aos repressores, de acordo com denúncias feitas por ex-trabalhadores à justiça argentina.

Ninguém ficou ferido pelos atentados, cuja autoria é atribuída, segundo indicavam os panfletos nas bombas, ao “Comando Rodolfo Walsh”, em referência ao jornalista desaparecido naqueles chamados “anos de chumbo”.

O texto colado às duas bombas dizia, de acordo com a imprensa argentina: “Empresas sócias da ditadura, cúmplices do desaparecimento de trabalhadores. Processo e castigo contra os empresários”.

Ao ver os vidros da agência Ford destroçados, os empregados afirmaram, diante das câmeras de televisão, que “poderia ter sido pior” se a bomba tivesse provocado incêndio e vítimas.

Lojas fechadas

“Nós achamos que esse é um sinal de que amanhã será um dia violento”, disse um deles. “Por isso, a gerência decidiu não abrir as porta, o que ocorreria mesmo sendo feriado nacional”.

De acordo com a antiga Conadep (Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas), responsável pela investigação sobre os desaparecidos políticos no país, as denúncias contra as duas montadoras estão sendo investigadas pela justiça argentina e, no caso da Mercedes Benz, também por juízes da Alemanha.

Na sua edição de quinta-feira, o jornal Clarín revelou que o governo militar assinou um decreto, de 1977, determinando a compra de noventa carros Ford Falcon com placas frias.

O modelo de automóvel virou símbolo dos anos de ditadura e ainda hoje gera comentários nos filmes e programas de TV sobre a repressão.

Naqueles carros, como mostram as imagens reprisadas na televisão nesta semana de recordações do golpe, os seqüestrados eram levados para prisões clandestinas, de acordo com diferentes entidade de direitos humanos.

“Alguns de nós fomos seqüestrados dentro da própria fábrica e levados, encapuzados, para aqueles centros clandestinos, onde fomos torturados”, afirmou o ex-delegado sindical Pedro Norberto Troiani à imprensa e à justiça argentina.

Ao todo, 24 sindicalistas da comissão interna da Ford foram seqüestrados, segundo a denúncia.

No caso da Mercedes Benz, como informou-se na Conadep, esse número seria de quinze seqüestros e mortes.

No ano passado, ao receber familiares das vítimas, o presidente Nestor Kirchner prometeu instaurar uma comissão específica para ajudar nas investigações que estão sendo realizadas.

As montadoras, como recordaram as entidades de direitos humanos, sempre negaram qualquer relação com a repressão da época.

Manifestações

Nessa quinta-feira, o ex-presidente Raul Alfonsín, primeiro a assumir o poder em tempos democráticos, após a queda do regime militar, voltou a dizer que seu governo “fez o que era possível” para “acabar com a impunidade” contra os ditadores.

“Nós realizamos, na época, um fato inédito, com o julgamento às cúpulas militares”, recordou.

Nessa quinta-feira, o jornal La Nación informou, em sua primeira página, que o chefe da Marinha, almirante Jorge Godoy, poderia determinar o fechamento “definitivo” de grande parte dos serviços de inteligência desta força.

A decisão estaria sendo estudada depois que militares da Marinha foram flagrados espionando civis na base naval de Trelew, na província de Chubut, na Patagonia.

Como esta sexta-feira será feriado nacional, obecendo projeto de lei do governo Kirchner, aprovado pelo Congresso Nacional, na semana passada, muitas manifestações começam nesta quinta-feira.

A entidade Maes da Praça de Maio, realizará um protesto, com apoio de vários músicos, esta noite.

A idéia, informou-se, é estar na Praça, em frente ao palácio presidencial, às três da manha, hora do golpe em 1976, que deu início a um dos períodos “mais sangrentos” da Argentina, com cerca de trinta mil desaparecidos e feridas abertas, como disse Estela Carloto, presidente da entidade Avós da Praça de Maio.

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