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Atualizado às: 05 de agosto, 2006 - 14h29 GMT (11h29 Brasília)
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Sentença histórica condena policial da ditadura argentina
Julio Simón
Julio Simón foi condenado por crimes perpetrados em 1978
Um tribunal na Argentina condenou um ex-policial a 25 anos de prisão em conexão com violação de direitos humanos durante os governos militares das décadas de 70 e 80 no país, na primeira sentença desde o fim da lei de anistia contra ex-agentes do governo.

Julio Simón, conhecido como "Turco Julián", foi preso por seu envolvimento no desaparecimento de um casal - o chileno José Poblete e sua mulher, Gertrudis Hlaczik - e seqüestro de seu bebê em 1978.

A filha do casal, Cláudia, tem hoje 28 anos. Há seis anos, ao ter descoberto a própria origem, ela vem realizando uma campanha para a punição dos culpados.

O correspondente da BBC Mundo na Argentina, Max Seitz, disse que durante o julgamento, testemunhas contaram os horrores por que passavam as pessoas sequestradas e levadas a um centro de detenção clandestino conhecido como "El Olimpo".

De acordo com os relatos, Poblete, que havia perdido a perna em um acidente de trem e fazia parte e uma organização peronista de deficientes físicos, e sua mulher foram levadas para o local e ali torturados.

Decisão histórica

A condenação foi possível graças a decisão do ano passado da Suprema Corte, que derrubou as leis de anistia que protegiam antigos membros das forças de segurança.

O veredicto foi elogiado por muitas famílias que perderam parentes durante o regime militar na Argentina e que lutam há anos para que os responsáveis sejam punidos.

Estima-se que 30 mil pessoas tenham desaparecido entre 1976 e 1983 no país, quando seqüestros, tortura e assassinatos eram amplamente empregados contra supostos militantes esquerdistas.

O sequestro de bebês separou centenas de famílias, e gerou, ao fim do período militar, movimentos de direitos humanos como o das "Mães da Praça de Maio", em referência ao local onde periodicamente as mulheres ainda fazem seus protestam.

Do período militar argentino, são ainda conhecidos os chamados "vôos da morte", em que militares lançavam no rio da Prata os corpos de opositores do regime, que assim submergiam e desapareciam.

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