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Lula, Kirchner e Chávez concordam em apoiar Bolívia | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois de uma reunião que durou cerca de três horas, os presidentes de Brasil, Bolívia, Argentina e Venezuela concordaram em "preservar e garantir" o abastecimento de gás em seus países e em "aprofundar" as negociações sobre os preços do gás boliviano. A declaração foi divulgada em comunicado assinado pelos quatro líderes, que também se comprometeram a "estimular investimentos conjuntos a fim de favorecer o desenvolvimento integral da Bolívia". A reunião de emergência em Puerto Iguazú foi convocada após a nacionalização do setor energético na Bolívia, anunciada pelo presidente Evo Morales no dia 1º de maio. Em entrevista coletiva após a reunião, os quatro presidentes defenderam a união regional, apesar da crise causada pela decisão boliviana, e negaram que haja uma disputa com Bolívia e Venezuela, de um lado, e Brasil e Argentina, de outro. Na declaração os presidentes reconhecem o direito da Bolívia de tomar decisões a respeito de seus recursos naturais, mas também destacam a necessidade de garantir o fornecimento de gás aos outros países. Apesar da falta de definição sobre como ficarão os preços do gás boliviano, o presidente argentino, Néstor Kirchner, disse que o documento assinado pelos presidentes "é claro em termos de preços". Na única menção ao assunto, o texto diz que os preços serão discutidos em "diálogos bilaterais" entre os países. "O importante é que o fornecimento de gás para os países que precisam foi garantido e que os preços serão discutidos da forma mais democrática possível entre todas as parte envolvidas", disse Luiz Inácio Lula da Silva. Nova fase "Foi um bom diálogo", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Quando presidentes se encontram, as questões passam para uma nova fase."
O decreto assinado pelo governo boliviano no dia 1º de maio nacionaliza a indústria de petróleo e de gás no país e dá 51% do controle do setor energético à estatal de energia da Bolívia. De acordo com a nova lei boliviana, as negociações de novos contratos podem durar seis meses e, depois desse período, as empresas estrangeiras podem ser expulsas. A Petrobras é a maior companhia de petróleo e a maior investidora no setor de energia na Bolívia, com mais de US$ 1,5 bilhão em investimentos. A empresa anunciou na quarta-feira que suspenderia futuros investimentos no país. O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, não fez comentários depois que saiu do local onde a reunião ocorreu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou depois da reunião que os problemas da petroleira brasileira serão "discutidos bilateralmente entre os governos do Brasil e da Bolívia e entre a Petrobras e a YPFB (a estatal de petróleo da Bolívia)". Na noite de quarta, o líder boliviano Evo Morales disse que brasileiros e argentinos têm que entender que a Bolívia precisa aumentar o preço do seu gás natural. "O Brasil e a Argentina têm que aumentar o preço do gás que estão comprando porque, segundo o acordo (vigente), os preços deveriam ter sido revistos em 2004", disse Morales. "Portanto, lamento que os governos (brasileiro e argentino) não tenham feito isto." Sobre o anúncio de que a Petrobras estaria suspendendo futuros investimentos na Bolívia, Morales disse que seu governo não vai ceder a nenhum tipo de "chantagem". "Não é possível que tenham uma grande empresa com nossos recursos e deixem a economia de nosso país em má situação," afirmou. |
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