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Análise: Morales mais próximo de Lula ou de Chávez? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma das principais questões que apareceram quando Evo Morales foi eleito presidente da Bolívia em dezembro do ano passado foi em relação ao seu rumo político: ele estaria mais inclinado a fazer um governo de centro-esquerda na linha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou trilharia uma rota mais radical e anti-Bush, seguindo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Apesar de Morales ter avisado que iria nacionalizar o setor de gás e petróleo, nunca se soube ao certo até onde ele iria. Agora se sabe que ele estava falando em controle do Estado sobre produção, comercialização e preços. São medidas que o situam claramente no time de Chávez e não no de Lula, o dos novos líderes esquerdistas com tendências liberais. Alguns observadores, Washington em particular, vão considerar significativo o fato de Morales ter se encontrado em Cuba com Chávez e Fidel Castro na semana passada, quando assinaram um acordo comercial para contrapor a vasta influência americana na região. Outros paralelos podem ser traçados entre o anúncio de Morales e a recente radicalização da política de Chávez em relação à atuação de empresas petroleiras estrangerias na Venezuela. Duas empresas, a francesa Total e a Eni, da Itália, tiveram seus campos confiscados na semana passada. Não resta dúvida de que as ligações entre Bolívia e Venezuela se fortaleceram. Como parte do novo acordo comercial, a Bolívia concordou em vender coca e soja para a Venezuela, e a comprar 5% da Telesur, o canal de notícias criado por Chávez, com sede em Caracas. Em troca, a Venezuela disse que investiria no setor bancário boliviano. O jornal britânico Financial Times disse que encontros de ministros dos dois países são "comuns", e que "existem sinais de que Chávez estaria influenciando o desenho da nova assembléia constituinte boliviana" a ser eleita em julho. Um golpe para Lula? Um aspecto que causa surpresa é o fato de Lula não ter exercido uma influência moderadora sobre Morales, que muitos, em Washington, previam. A Petrobras é o maior investidor no setor de gás da Bolívia - que tem a segunda maior reserva da América do Sul, perdendo apenas para a Venezuela - e é atualmente responsável por mais de 60% da produção de gás boliviano. A empresa investiu mais de US$ 1 bilhão na Bolívia e pode virar o principal prejudicado se Morales levar adiante os planos de nacionalização. Lula é amigo de Morales, e vários observadores brasileiros pensaram que Lula seria capaz de garantir boas relações entre os dois países, principalmente depois que o governo de Morales sugeriu que daria um tratamento privilegiado a empresas estatais. Lula ainda pode ser capaz de acalmar a situação, mas os sinais nas últimas semanas foram de que Morales iria dar o mesmo tratamento para todas as empresas estrangeiras, inclusive as brasileiras. Em março, Morales iniciou uma troca de acusações com a Petrobras e, no mesmo mês, a empresa anunciou que estaria desistindo de um plano de investir US$ 5 bilhões na Bolívia. Na semana passada, outra empresa brasileira, a siderúrgica EBX, foi obrigada a deixar a Bolívia depois de ser acusada de desrespeitar leis ambientais do país. Razões domésticas O governo americano pode até achar que Chávez esteja por trás da radicalização de Morales. Mas Morales está fazendo o que grande parte da população boliviana queria. Muitos bolivianos acham que a história do país é marcada pela exploração injusta de seus ricos recursos naturais - prata, alumínio, petróleo e, agora, gás - por investidores estrangeiros, que deixaram o país na condição de mais pobre da América do Sul. O principal problema do governo boliviano agora é saber se a companhia estatal do setor energético, a YPFB, vai ter o dinheiro e o know how para explorar seus próprios recursos. O governo calcula que vai arrecadar mais com o resultado das nacionalizações - cerca de US$ 750 milhões em 2007, segundo algumas estimativas. Mas opositores dizem que a Bolívia nacionalizou o setor de energia duas vezes antes na sua história - nos anos 30 com a Standard Oil e em 1969 com a empresa americana Gulf. Eles dizem que essas nacionalizações não ajudaram a reduzir a pobreza no país. |
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