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Crise na Bolívia reforça polarização continental | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Por negligência ou conveniência, o governo Bush nunca jogou com mão pesada na América do Sul. Nada disso impediu o fortalecimento de um arco populista de tonalidades fortemente antiamericanas, capitaneado pelo venezuelano Hugo Chávez. Em parte, Washington esperava que o governo Lula, da linha do "esquerdismo responsável", exercesse uma efetiva influência moderadora sobre os radicais na região. O Brasil, no entanto, acaba de levar mais uma bofetada diplomática e econômica com a decisão boliviana de nacionalizar sua indústria de energia. O que está em curso, portanto, é a consolidação de um "eixo bolivariano" inspirado por Chávez que se posiciona com cada vez mais virulência contra os interesses americanos na região e é literalmente movido a energia, ou seja, pelos preços das commodities deste setor. Com o fracasso diplomático do poder moderador brasileiro, configura-se a polarização continental. De um lado, o bloco liderado pela Venezuela. Do outro, obviamente, os Estados Unidos. Neste contexto mais polarizado, o governo Bush será forçado a se engajar de forma mais assertiva. Interesses americanos O decreto de Evo Morales nacionalizando as reservas de petróleo e gás natural da Bolívia não representa um grande impacto econômico direto aos interesses americanos, mas acontece em um momento de muita ansiedade no mercado global de energia. E vale lembrar que Morales anunciou que vem mais por aí. Por exemplo, lances no setor de mineração, o que deve afetar mais de perto os interesses americanos. Ademais, o anúncio de Morales foi feito logo na sequência de sua reunião com Chávez e o cubano Fidel Castro, na qual os três dirigentes selaram um pacto comercial alternativo, que justamente se contrapõe aos planos cada vez mais distantes de Washington para a formação de uma área de livre comércio nas Américas. Os americanos, no entanto, avançam com seus acordos bilaterais no continente e um alvo preferencial agora é o Uruguai. É uma jogada que enfraquece ainda mais o Mercosul (e a diplomacia brasileira), em contraste ao fortalecimento regional de Caracas. Chávez poderá alastrar ainda mais sua influência na América do Sul caso seus aliados vençam eleições: Ollanta Humala, no Peru, agora no final do mês, e Rafael Correa, no Equador, em novembro. É um cenário desolador para os interesses americanos. Tensões No caso imediato e específico da Bolívia, o decreto de Evo Morales apenas deverá gerar mais tensões nas relações entre Washington e La Paz. O governo Bush optara por não jogar com mão pesada, mas o novo lance do presidente boliviano reforça a posição da linha dura em Washington. Isto já fora sentido na semana passada na questão de drogas, que naturalmente é um grande foco de tensão, pois Morales, o ex-líder dos cocaleros, se opõe de forma veemente aos programas de erradicação patrocinados pelos Estados Unidos no continente. Anna Paterson, a funcionária do Departamento de Estado que cuida da área, se reuniu com Morales em La Paz e depois, em conversa com jornalistas, usou uma linguagem inusitadamente direta. Disse que a idéia do presidente boliviano de permitir mais produção de coca vai inevitavelmente levar a mais cocaína. De acordo com Anna Patterson, "a idéia não vai funcionar" e carece de apoio tanto dos Estados Unidos, como da comunidade internacional. Já o drama para o governo Bush é produzir uma diplomacia que funcione na região, após anos de descaso. |
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