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Atualizado às: 02 de maio, 2006 - 18h33 GMT (15h33 Brasília)
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Lula consultará líderes regionais sobre crise com a Bolívia
Soldados guardam entrada de refinaria da Petrobras em Cochabamba, na Bolívia
A Petrobras tem grandes investimentos na Bolívia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai consultar outros líderes da América Latina sobre a crise de gás na Bolívia ainda nesta terça-feira, informou o porta-voz da presidência, André Singer.

A decisão foi tomada durante a reunião ministerial de emergência convocada para esta terça-feira para discutir a decisão do governo boliviano de nacionalizar o setor de hidrocarbonetos do país.

Durante a reunião, o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, afirmou que não há risco de desabastecimento de gás no Brasil.

Hoje, o Brasil é dependente do gás boliviano, de onde importa, através da Petrobras, cerca de 25 milhões de metros cúbicos diários do produto. A Petrobras Bolívia também abastece a Argentina.

Também nesta terça-feira, o presidente da Bolívia, Evo Morales, se reuniu com membros de seu governo, entre eles o ministro dos Hidrocarbonetos, para avaliar as repercussões internacionais à nacionalização do setor de gás e petróleo anunciada na véspera.

Sem volta

O governo boliviano já reafirmou, porém, que descarta voltar atrás nas medidas, apesar das fortes críticas por parte de empresas do setor com investimentos na Bolívia, entre elas a Petrobras, a espanhola Repsol, a francesa Total e a argentina Pluspetrol.

A Câmara dos Hidrocarbonetos, orgão que reúne as empresas do setor, deve divulgar nesta terça-feira um comunicado conjunto em resposta à medida do governo boliviano.

Morales também deve fazer um novo pronunciamento na tarde desta terça-feira para comentar as críticas recebidas à nacionalização dos hidrocarbonetos.

Segundo fontes da Presidência e do Ministério dos Hidrocarbonetos da Bolívia, não existe a possibilidade de uma reversão nas medidas porque elas faziam parte das promessas de campanha de Evo Morales.

O anúncio feito por Morales e pelo vice-presidente Álvaro García Linera na praça Murillo, em La Paz, na segunda-feira, surpreendeu muitas pessoas dentro do próprio governo boliviano.

Apenas três pessoas tinham conhecimento antecipado do anúncio - além do próprio Morales, García Linera, e o Ministro dos Hidrocarbonetos.

"Confisco"

O anúncio de Morales não surpreendeu as autoridades dos diferentes países. Em entevista à BBC Brasil, um representante do governo brasileiro disse que o presidente Luis Inácio Lula da Silva tentou convencer o colega boliviano a desistir das medidas, mas não foi possível.

O representante classificou de "confisco" as medidas adotadas, por decreto, pelo presidente Morales. Segundo ele, a implementação destas medidas poderia levar à saída da Petrobras da Bolívia.

Recentemente, o presidente da empresa, Sergio Gabrielli, afirmou que não interessava seguir em território boliviano como “prestadora de serviços”, como, na prática, estabelece o decreto assinado por Morales.

Na segunda-feira, em entrevista concedida durante sua viagem aos Estados Unidos, Gabrielli disse que a nova lei transformou os investimentos na Bolívia em algo inviável.

Tributação

O texto determina ações que afetam diretamente os interesses das empresas de petróleo e gás instaladas no país. Uma delas aumenta a tributação das petroleiras de 50% para 82%, restando apenas 18% para pagamentos de salários, imposto de renda e infra-estrutura, entre outros.

“Ficou impossível”, disse o representante do governo brasileiro. Segundo fontes brasileiras, estes 18% são insuficientes para atender todas as necessidades da empresa na Bolívia. Com o decreto, o presidente Morales determina ainda que o Estado passa a ter 50% mais 1% - ou seja, a maioria – das ações das refinarias.

Entre elas estão duas refinarias da Petrobras Bolívia e Refinação (PBR), em Santa Cruz e Cochabamba, e investimentos da Repsol, Pan America, Shell e Prisma. O governo boliviano, que não possuía ações nestas petroleiras até o decreto, passa a ser majoritário, detendo o controle dos investimentos.

As empresas têm 180 dias para dizer se aceitam assinar os novos contratos, substituindo os atuais, ou se deixarão o país. Segundo fontes do Ministério de Hidrocarbonetos, em La Paz, os atuais contratos não têm validade porque não passaram pelo Congresso Nacional.

Usina bolivianaNacionalização
Morales dá guinada para esquerda radical na Bolívia.
Financial Times
Líder boliviano está cada vez mais autoritário.
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