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Justiça ordena liberação de fotos de abusos no Iraque | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um juiz de Nova York ordenou que as fotos de soldados americanos abusando prisioneiros iraquianos sejam publicadas. A decisão foi tomada depois que a União Americana pelas Liberdades Civis pediu acesso a todas as 87 fotografias. O juiz distrital Alvin Hellerstein rejeitou os argumentos do governo de que a liberação das fotos poderia aumentar o sentimento anti-americano. As fotos dos prisioneiros sendo abusados na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, chocaram o mundo no ano passado. Vários soldados americanos foram presos em conseqüência do episódio. A decisão é potencialmente embaraçosa para o governo americano, segundo o correspondente da BBC em Nova York, Jeremy Cooke. O governo tem 20 dias para considerar uma apelação. Transparência e chantagem A União Americana pelas Liberdades Civis pediu a liberação de 87 fotografias e quatro fitas de vídeo como parte de um processo lançado em 2003 por conta do tratamento dos prisioneiros em custódia americana e a transferência de prisioneiros para países que sabidamente utilizam tortura em seus interrogatórios. A União afirma que o abuso de prisioneiros é sistêmico. O governo americano argumenta que as fotos devem permanecer escondidas para evitar que o episódio ajude os insurgentes no Iraque. É "provável que a Al-Qaeda e outros grupos usem essas imagens e vídeos para alimentar seu moinho de propaganda", argumentou no processo o general Richard Myers, a maior autoridade militar americana. Mas em seu veredicto de 50 páginas, o juiz disse: "minha tarefa não é ceder aos nossos piores medos, mas interpretar e aplicar a lei, neste caso, o Ato de Liberdade de Informações, que defende valores importantes para a nossa sociedade, como a transparência e a responsabilidade do governo". "Nossa luta para prevalecer tem que ser feita sem sacrificar a transparência e a responsabilidade do governo e dos militares", acrescentou. O juiz Hellerstein disse que os Estados Unidos "não se rendem à chantagem, e o medo de chantagem não é argumento legalmente forte o suficiente para evitar que nós adotemos um comando previsto em lei". "Na verdade, as liberdades que defendemos são tão importantes para o nosso sucesso no Iraque e no Afeganistão, como as armas e mísseis com os quais nossas tropas estão armadas." As fotografias divulgadas no ano passado mostram prisioneiros iraquianos sendo abusados ou humilhados física e sexualmente. Acredita-se que as imagens no centro da recente batalha legal tenham sido registradas pelo mesmo soldados que tirou as fotos originais. Até agora, todos os comandantes militares americanos foram inocentados no processo. Nove soldados já foram condenados e alguns deles estão cumprindo pena na prisão. |
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