|
Líderes mundiais aprovam reforma da ONU | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes mundiais aprovaram nesta sexta-feira uma reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) que prevê medidas modestas para problemas como pobreza, terrorismo e violação de direitos humanos. O documento já havia sido aprovado na Assembléia Geral na terça-feira, um dia antes do início da reunião de cúpula, que apenas formalizou o acordo. Temas inicialmente apresentados como prioritários pela ONU como o desarmamento nuclear acabaram deixados de fora do documento por causa da dificuldade de consenso. A questão estava prevista na proposta original de reforma, mas sofreu objeções dos Estados Unidos. O próprio secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse logo após o acordo informal do início da semana que a exclusão de medidas para a não-proliferação nuclear era "uma desgraça". Outro dos objetivos iniciais da reforma, o estabelecimento de uma meta de contribuição dos países ricos para a redução da pobreza, não entrou no documento porque Washington se opôs à fixação de um porcentual de contribuição, que seria baseado no PIB (Produto Interno Bruto). Ainda assim, nesta sexta-feira Annan citou como avanços a criação da Comissão de Construção da Paz, para ajudar países recém-saídos de conflitos e a reafirmação do objetivo de reduzir à metade a pobreza mundial até 2015, de acordo com as chamadas Metas do Milênio. Protesto venezuelano Muitos chefes de Estado e Governo, incluindo o presidente americano, George W. Bush, já haviam deixado Nova York quando o documento foi aprovado por aclamação na Assembléia Geral. Segundo a agência de notícias France Presse, o ministro do Exterior venezuelano, Ali Rodríguez, causou surpresa entre os presentes na Assembléia ao pedir para falar pouco antes do anúncio da aprovação do documento. Rodríguez denunciou o processo de negociação que, segundo ele, foi "confinado" a um pequeno grupo de 32 e depois de 15 países, marginalizando outros membros da organização. Representantes de Cuba e Bielo-Rússia também protestaram contra a maneira como foi negociada a reforma. Depois da intervenção do venezuelano, o primeiro-ministro sueco, Goeran Persson, cujo país preside a atual sessão da Assembléia Geral, anunciou a aprovação do documento, e, sob aplausos, pediu para que todos os líderes políticos continuassem comprometidos com a concretização das decisões tomadas. O embaixador americano na ONU, John Bolton, mostrou-se satisfeito com o resultado. Bolton foi quem semanas antes da reunião apresentou 750 objeções à proposta original no grupo de 32 países, dando início a uma nova maratona de negociações. "O documento final representa um importante passo no longo processo de reforma da ONU", disse Bolton, segundo a agência France Presse. "Nós não podemos permitir que os esforços para a reforma saiam dos trilhos ou percam força." O embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, que participou dos grupos de 32 e depois de 15 países que trabalharam na elaboração do documento, disse que o texto não era ideal, mas tinha pontos positivos. “Não é que estejamos inteiramente satisfeitos, mas houve avanços significativos”, afirmou Sardenberg à BBC Brasil. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||