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Atualizado às: 23 de agosto, 2005 - 03h58 GMT (00h58 Brasília)
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Chefe da missão da ONU no Haiti elogia atuação brasileira
Juan Gabriel Valdés (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Valdés: ONU tem que fazer "contribuição real" para o Haiti
O chefe da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), Juan Gabriel Valdés, elogiou a atuação do Brasil como líder das tropas de paz no país, durante uma visita a Brasília nesta segunda-feira.

Em entrevista coletiva, Valdés destacou o "papel central" que o general Augusto Heleno Ribeiro teve na "definição da forma que uma missão de latino-americanos deve atuar num país como o Haiti". Ribeiro passa o comando das tropas de paz a outro brasileiro, o general Urano Teixeira da Matta Bacellar, no fim deste mês.

"A nossa avaliação é que a participação do Brasil no processo que estamos enfrentando hoje, de desenvolvimento da campanha eleitoral, mas também amanhã, quando houver um novo governo, será sempre fundamental, para que a Minustah tenha êxito e, portanto, para que o Haiti tenha êxito no seu processo de estabilização como nação e como Estado", afirmou o diplomata, na entrevista concedida após encontro com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Valdés disse ainda que a segurança no Haiti melhorou de forma "notória" e
destacou a atuação dos soldados brasileiros no bairro de Bel Air.

"Os soldados brasileiros conseguiram erradicar os bandos armados, instalar-se de maneira permanente e permitir, já há 15 dias, a abertura de dois centros eleitorais", afirmou.

Data das eleições

Juan Gabriel Valdés disse esperar que depois de seis missões "com resultados muito deficientes" desta vez a ONU faça uma "contribuição real" ao Haiti.

O embaixador, que é o representante especial do secretário-geral da ONU para o Haiti, também disse que a organização está satisfeita com o processo de cadastramento eleitoral, mas não precisou a data em que as eleições devem ocorrer.

Valdés citou as datas preliminares para as eleições presidenciais – 15 de novembro para o primeiro turno e 18 de dezembro para o segundo turno – e disse que elas podem ser mudadas "em uma semana".

As eleições locais, inicialmente previstas para outubro, foram adiadas para dezembro.

De acordo com o chefe da missão de paz, dois milhões de eleitores haitianos se registraram e em um mês e meio a ONU espera que esse número chegue a 3,5 milhões.

Segundo Valdés, 46 partidos – incluindo o Lavalas, do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide – devem participar das eleições.

Mas o partido do ex-presidente, deposto em fevereiro do ano passado, ameaçou nesta segunda-feira a se retirar da disputa se o governo interino haitiano não libertar o padre Gerard Jean-Juste, membro do partido preso há cerca de um mês.

Os partidários de Jean-Juste querem lançá-lo como candidato nas eleições.

O padre é acusado de envolvimento no assassinato do jornalista Jacques Roche, mas o Lavalas alega que a acusação tem motivação política.

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