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Blair: Guerra no Iraque não justifica ataque em Londres | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta terça-feira, que não vai ceder "nem uma polegada" ao terrorismo e afirmou que a guerra no Iraque não é justificativa para as bombas em Londres. Blair reconheceu que o Iraque vem sendo usado por extremistas para recrutar militantes, mas destacou que as raízes do extremismo islâmico são bem mais profundas. Segundo o chefe de governo da Grã-Bretanha, que concedeu uma entrevista coletiva, o 11 de setembro foi um chamado de despertar para a comunidade internacional, mas muitos "viraram de lado e voltaram a dormir de novo". Suas declarações foram feitas após reunião com líderes dos dois principais partidos de oposição, o Conservador e o Liberal Democrata, para discutir mudanças nas leis anti-terrorismo do país. Detenção Blair defendeu a adoção de medidas mais duras contra suspeitos de envolvimento em ações consideradas terroristas, como a prorrogação no prazo de detenção sem acusação. Observou, porém, que é necessário buscar um equilíbrio entre o respeito aos direitos civis e a adoção de medidas para reforçar a segurança. A reunião para tratar de mudanças na lei ocorre em conseqüência dos ataques de 7 de julho, que mataram mais de 50 pessoas, e das tentativas de ataques do dia 21 de julho, cujos suspeitos continuam foragidos e que culminaram, na sexta-feira, na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. Os líderes reunidos analisaram um pedido da polícia de aumentar o tempo máximo que suspeitos podem ficar detidos sem acusações formais dos atuais 14 dias atuais para três meses. "Creio ser perfeitamente razoável em circunstância de grande dificuldade termos um período maior de detenção para que que se possa interrogar os suspeitos", disse o premiê britânico. "Mas obviamente é preciso observar o tempo envolvido nesse processo e também o envolvimento judicial. Concordo que temos de ser muito cuidadosos sobre isso", acrescentou Blair. Ele disse que considera as pessoas que fazem incitamento à violência ou freqüentam campos de treinamento de terroristas como uma ameaça à Grã-Bretanha e que é preciso se certificar que existem os mecanismos legais para lidar com o problema. Os conservadores pediram a Blair que a lei seja mudada para que gravações feitas por "escutas telefônicas" sejam usadas como provas em julgamentos. O líder dos conservadores, Michael Howard, disse após o encontro que Blair estava considerando seriamente esta possibilidade. Escutas e polêmica Blair apóia a idéia em princípio, mas está disposto a ouvir as dúvidas dos serviços de segurança. O gabinete de governo informou que Blair ainda quer ouvir "conselhos" a respeito desta proposta. Os serviços de segurança afirmam que há problemas práticos que podem ser maiores do que os supostos benefícios. O primeiro-ministro também ainda não aprovou publicamente a idéia de aumentar o tempo de detenção de suspeitos sem acusações, reconhecendo a potencial polêmica que tal medida pode gerar. Já existe um acordo para a criação de leis que considerem crime a incitação indireta ao terrorismo ou a participação de ações preparatórias para um atentado. Investigação Ainda nesta terça-feira, a polícia britânica prendeu mais dois homens no norte de Londres depois de realizar buscas em um conjunto habitacional em New Southgate (norte da cidade). O local teria ligações com Muktar Said Ibrahim, de 27 anos, suspeito de tentar explodir um ônibus na quinta-feira, dia 21. A polícia também divulgou o nome de Yasin Hassan Omar, de 24 anos, como o homem que tentou explodir um dispositivo na estação de metrô de Warren Street no mesmo dia. Outros endereços em Londres também foram revistados pela polícia. Segundo a Scotland Yard, os dispositivos que não explodiram no dia 21 de Julho estavam dentro de potes de plástico fabricados na Índia e vendidos em 100 lojas na Grã-Bretanha. E a polícia também confirmou que um dispositivo encontrado escondido em um arbusto num parque do oeste de Londres era parecido com os usados nas tentativas de ataques. Jean Charles A polícia britânica disparou oito tiros contra o brasileiro Jean Charles de Menezes, que foi confundido com um homem-bomba na sexta-feira (dia 22) na estação de metrô de Stockwell. A informação – que amplia a versão oficial anterior que falava em cinco tiros – foi revelada pela investigadora de polícia Elizabeth Baker durante uma audiência do inquérito sobre a morte do brasileiro de 27 anos. Segundo ela, Menezes foi baleado sete vezes na cabeça e uma no ombro. A polícia de Londres não costuma usar armas de fogo, mas as autoridades aumentaram a presença de policiais armados após os atentados de 7 de julho e tentativas fracassadas de ataque no dia 21. No domingo, o chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, afirmou que a ordem de "atirar para matar com o intuito de proteger" vai continuar apesar da “tragédia”. Ele pediu desculpas pela morte de Menezes, mas defendeu seus policiais. Ian Blair disse que os policiais à paisana tinham que atirar contra a cabeça de um suspeito de ser um suicida pois um tiro em qualquer outra parte do corpo poderia disparar a suposta bomba, pois a área do peito ou tronco é a área onde os explosivos geralmente ficam. |
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