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Atualizado às: 22 de julho, 2005 - 00h55 GMT (21h55 Brasília)
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Velório de jornalista termina em briga no Haiti
Corpo de Roche é velado no Haiti
O corpo de Jacques Roche tinha marcas de tiros e tortura
O velório do jornalista haitiano Jacques Roche, assassinado brutalmente em Porto Príncipe, terminou em briga nesta quinta-feira.

As agressões começaram quando pessoas que estavam na cerimônia avistaram Gerard Jean-Juste, um padre próximo ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que foi destituído no ano passado.

O padre foi cercado pela multidão e agredido, em meio a acusações de que partidários do ex-presidente estariam envolvidos no assassinato de Roche. Jean-Juste teve de ser escoltado para uma delegacia próxima.

O corpo de Roche, um dos jornalistas mais conhecidos do Haiti, foi encontrado em Porto Príncipe amarrado a uma cadeira, queimado, com marcas de tortura e tiros, dias depois de ele ter sido seqüestrado na capital haitiana.

"A morte deste jornalista deve acordar a nossa consciência contra a violência, e todos os males que a nossa sociedade está atravessando", afirmou o bispo católico Andre Dumas durante a missa.

Marcha

Depois da cerimônia, cerca de mil haitianos marcharam pelo centro de Porto Príncipe, carregando bandeiras haitianas e pedindo mais medidas do governo contra a violência no país.

Roche, que tinha 44 anos, foi a mais recente vítima de uma onda de seqüestros no Haiti. A polícia estima que mais de 450 pessoas tenham sido tomadas reféns desde março.

Ele era responsável pela seção de Cultura do jornal Le Matin, apresentava um talk show na TV e fazia comentários esportivos numa rádio local.

Em homenagem a Roche, o primeiro-ministro interino do Haiti, Gerard Latortue, declarou luto oficial nesta quinta-feira.

O jornalista foi seqüestrado num domingo de manhã quando dirigia o seu carro na região de Nazon, em Porto Príncipe.

A maioria das abduções no Haiti busca dinheiro e a vítima é normalmente solta depois do pagamento do resgate.

Os colegas de Jacques Roche no jornal Le Matin dizem que os seqüestradores haviam pedido US$ 250 mil pela sua libertação e posteriormente reduziram o valor para US$ 10 mil.

Quando parentes e amigos conseguiram reunir os US$ 10 mil, os seqüestradores teriam pedido os US$ 240 mil restantes.

Correspondentes da BBC dizem que a violência no país está suscitando dúvidas sobre a viabilidade de serem realizadas eleições no final do ano, como está previsto.

As tropas estrangeiras têm tido dificuldade para manter a ordem no Haiti, que no ano passado mergulhou numa crise civil que levou à queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide.

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