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Parlamento do Quirguistão escolhe presidente interino | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Parlamento do Quirguistão decidiu que um deputado oposicionista, Kurmanbek Bakiyev, vai assumir o cargo de presidente interino do país. Também foi decidido que o líder oposicionista Feliks Kulov, que foi libertado nesta quinta-feira, vai chefiar os ministérios responsáveis pela área de segurança. Em um dia de desdobramentos acelerados no Quirguistão, ex-república soviética, manifestantes de oposição assumiram o controle da capital do país, Bishkek, depois de semanas de protesto contra o resultado de eleições. Os manifestantes assumiram o controle do palácio presidencial - que também é a sede do governo - e da rede de TV estatal em Bishkek, depois que milhares de pessoas tomaram as ruas da capital, Bishkek, para pedir a renúncia do presidente Askar Akayev. Não se sabe onde Akayev se encontra no momento. Ao cair da noite, houve notícias de que algumas lojas no centro de Bishkek foram saqueadas. Reação internacional De acordo com o líder oposicionista Kumanbek Bakiyev, Akayev deixou o país e seu primeiro-ministro renunciou, mas estas informações não foram confirmadas por meio de fontes independentes. O governo dos Estados Unidos disse que está ansioso para ver os eventos no Quirguistão se moverem em direção a um processo democrático e um governo estável. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que todas as partes envolvidas devem deixar a violência de lado e que a comunidade internacional deve encorajar a realização de eleições. A Rússia também rejeitou o uso da força e defendeu que a crise seja solucionada por meio de diálogo, e a China fez um apelo para que seja mantida a calma no país.
Eleições anuladas Enquanto isso, a Suprema Corte do Quirguistão anulou as polêmicas eleições que foram o estopim dos protestos. Oposicionistas assumiram o controle de vários prédios de governos regionais em cidades-chaves do sul do Quirguistão. Antes, milhares de oposicionistas se confrontaram com militantes que apóiam o presidente Akayev. O confronto ocorreu durante um comício de oposição em Bishkek, quando centenas de militantes pró-Akayev avançaram sobre a multidão com pedaços de pau e escudos. Já haviam sido realizadas manifestações contra o presidente no sul do país, mas é a primeira vez que protestos aconteceram na capital. A oposição já controlava duas cidades no sul do Quirguistão, Osh e Jalal-Abad. Fraude eleitoral Os membros da oposição dizem que as recentes eleições parlamentares do país foram fraudadas. Entre os oposicionistas estão líderes regionais que perderam seus cargos na votação. As eleições foram realizadas em dois turnos, em fevereiro e em 13 de março. Segundo a apuração oficial, a oposição perdeu boa parte das cadeiras que tinha no parlamento, que conta com 75 integrantes. De acordo com a correspondente da BBC na Ásia Central, Monica Whitlock, o protesto em Bishkek começou de forma modesta, reunindo centenas de pessoas, em sua maioria famílias. À medida que a manifestação foi avançando pelas ruas da cidade, milhares de pessoas começaram a aderir. Apesar de contar com uma oposição fraca, o Quirguistão é considerado um país relativamente democrático para os padrões da Ásia central - desde a sua independência em 1991. A mídia quirguiz possui relativa independência, algo raro em outras nações centro-asiáticas que também integravam a União Soviética, como Uzbequistão e Tadjiquistão. Mas os oposicionistas acusam o governo de Akayev de ter instituído práticas corruptas durante seus quase 15 anos no poder. |
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