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Mundo acompanha Quirguistão com medo e empolgação

Eventos no Quirguistão podem ter desdobramentos violentos
Eventos no Quirguistão podem ter desdobramentos violentos
O mundo está observando os desdobramentos de eventos no Quirguistão com um misto de empolgação e medo.

Empolgação porque podemos estar vendo o início de uma nova "revolução de veludo" em uma ex-república soviética.

Medo porque em uma região tão pobre e volátil como a Ásia Central, tal revolução pode não ser propriamente não-violenta ou democrática como foram as da Ucrânia e da Geórgia.

Com os incidentes no país, a Ásia Central retornou ao noticiário internacional, possivelmente pela primeira vez desde que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, em 2001.

A invasão pôs fim ao regime do Talebã, que contava com o apoio da rede al-Qaeda, mas não foi capaz de derrotar a organização.

al-Qaeda

A al-Qaeda ainda conta com influência capaz de desestabilizar os regimes da Ásia Central ao norte do Afeganistão.

De acordo com Dovlat Qudrat, do serviço da Ásia Central da BBC, "o Quirguistão conta com um trecho do Vale de Fergana, a área mais densamente povoada e pobre da Ásia Central, que também é considerada um reduto do fundamentalismo islâmico na região".

A região também está propensa a conflitos étnicos. "A maioria dos habitantes do Vale de Fergana no Quirguistão é de etnia uzbeque, o que faz com que as autoridades locais temam a ressurreição de antigos choques étnicos. Por sorte, não há no momento sinais de que esses conflitos podem ser revividos. Uzbeques e quirguizes têm participado juntamente de protestos contra o governo", afirma o repórter da BBC.

Quando o Afeganistão ainda eram controlado pelo Talebã, o Quirguistão foi atacado por militantes comandos por Juma Namangani, um militante de etnia uzbeque e próximo a Osama Bin Laden.

Não foi à toa que o presidente quirguiz, Askar Akayev, que comanda o país desde o colapso da União Soviética, se empenhou em auxiliar a ação militar dos Estados Unidos no Afeganistão, permitindo aos americanos montar uma base militar no seu território. Em seguida, os russos fizeram o mesmo.

Recentemente, células do grupo ativista radical Uzbek Hizb-e Tahrir, de raízes uzbeques, têm sido mais identificadas no relativamente democrático Quirguistão do que no próprio Uzbequistão, onde a organização foi reprimida com brutalidade pelo presidente Islam Karimov.

O Vale de Fergana também integra uma rota do tráfico de drogas provenientes do Afeganistão, que no ano passado teve uma colheita recorde de papoulas de ópio.

A oposição quirguiz quer que o país dê um passo à frente que o colocaria na vanguarda de diversos outros ex-Estados soviéticos, incluindo a Rússia, em termos de desenvolvimento democrático.

O presidente quizquiz, Askar Akayev, é considerado o mais democrático líder da Ásia Central. Akayev gosta de reivindicar o fato de que a oposição do país possui uma voz própria e expressa suas opiniões livremente na mídia independente do país - algo inédito em qualquer outra nação vizinha.

Muitos analistas acreditam que o povo quirguiz tem zelado pela democracia porque a liberdade pessoal está no cerne de sua cultura nômade.

No Quirguistão, o islamismo não está tão enraizado quanto no resto da Ásia Central. Os quirguizes estão mais próximos dos budistas da Mongólia do que dos muçulmanos uzbeques ou tadjiques.

Retórica pró-democracia

A retórica de Akayev, pró-democracia e favorável à manutenção de boas relações com o Ocidente, tem poucas distinções da plataforma oposicionista.

Líderes oposicionistas quirguizes foram impedidos de participar das eleições parlamentares de fevereiro, mas dois filhos de Akayev foram eleitos, o que gerou especulações de que ele pretendia criar uma dinastia política - uma idéia que parece vingar entre todos os líderes centro-asiáticos da antiga União Soviética.

Akayev acusa Washington de ter tramado os protestos de oposição e criticou o embaixador americano no país, por ter dito que seu governo não difere de outros na Ásia central.

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