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Atualizado às: 24 de março, 2005 - 18h20 GMT (15h20 Brasília)
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Para analistas, situação no Quirguistão pode afetar vizinhos

Manifestantes
Para os analistas, a oposição quirguiz precisa se unir para governar
Analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que a crise no Quirguistão, um pequeno país da Ásia central, pode se espalhar pela região, afetando países vizinhos.

"Outros países da região estão prestando atenção ao que está ocorrendo no Quirguistão", diz Dave Gullette, um especialista na política da Ásia central da Universidade de Cambridge.

Ele cita o exemplo do Cazaquistão, de onde "há informações de que uma forte oposição está crescendo".

Mas Saula Mukhametrakhimova, diretora do programa para a Ásia Central da ONG Instituto para Reportagens para Guerra e Paz, acha que os reflexos não devem ser sentidos tão cedo em outros países.

"Outros governos da região são mais fortes e repressores, o que dificulta", afirma ela.

Como seus vizinhos Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão, o Quirguistão só chegou à independência em 1991, com a desagregação da União Soviética.

Até hoje, muitos políticos ainda são remanescentes da velha elite que governava o país nos tempos do comunismo.

Ucrânia e Geórgia

Os analistas dizem que também há semelhanças entre o que está ocorrendo na república centro-asiática e o que ocorreu recentemente na Ucrânia e na Geórgia.

"Obviamente, há paralelos, pois os eventos que desencadearam a revolução (no Quirguistão) também foram eleições", diz Mukhametrakhimova.

"Mas há diferenças, e o fato de a oposição não ser unida é uma delas."

Ela ressalta que a libertação, nesta quinta-feira, do líder oposicionista Feliks Kulov pode mudar essa situação.

"Ele pode ser capaz de consolidar e unir a oposição. Com ele, a situação muda muito."

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Gullette concorda que a desunião da oposição quirguiz é uma diferença, mas nota que as estratégias empregadas pelos opositores nesses ex-países soviéticos são parecidas.

"Nesse caso, os líderes de oposição do Quirguistão perceberam e entraram em contato com grupos de oposição na Geórgia e na Ucrânia", diz o especialista de Cambridge.

Outra diferença é a situação da economia quirguiz.

"O Quirguistão não tem uma economia forte.", afirma Gullette.

"Mais de 50% do PIB atual vem da mineração de ouro, e as maiores minas serão fechadas nos próximos cinco anos."

"Isso vai trazer grandes problemas para o Quirguistão. É diferente da Geórgia e da Ucrânia, que têm mais recursos e maior capacidade de exportação."

Crise "inevitável"

De acordo com os analistas, as mudanças no Quirguistão iriam ocorrer mais cedo ou mais tarde.

"Eles (os quirguizes) sentiram que (o presidente Askar) Akayev teve tempo suficiente como líder do país, que era hora de ele sair", diz Mukhametrakhimova.

"Possivelmente isso ocorreria de qualquer maneira nas eleições presidenciais, ainda neste ano", afirma Gullette.

"A força da oposição vinha crescendo de tal forma que eles iriam fazer algo, em algum momento."

Uma preocupação de muitos analistas, agora, diz respeito à possibilidade de recrudescimento da violência étnica no país.

Nos anos 90, quirguizes entraram em confronto com uzbeques na região do Vale de Fergana, onde ficam as cidades de Osh e Jala-Abad, no sudoeste.

A região, uma das mais férteis do país, tem uma grande população de uzbeques.

"O sul é dividido entre uzbeques e quirguizes. Mas o norte também é dividido, com muitos grupos étnicos diferentes, particularmente russos, que tendem a apoiar Akayev", diz Gullette.

"Os partidos de oposição vão ter que satisfazer os simpatizantes de Akayev e apresentar uma plataforma que possa ser aceita por todos."

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