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Deputado diz que Itália pagou por libertação de reféns | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um político italiano do alto escalão afirmou acreditar que o governo do país pagou um resgate de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,86 milhões) pela libertação de duas voluntárias seqüestradas no Iraque. O chanceler da Itália, Franco Frattini, voltou a defender a posição oficial, que diz que nenhum dinheiro foi entregue. Mas segundo o presidente do comitê de Relações Exteriores do Parlamento, Gustavo Selva, em entrevista à rádio francesa RTL, o desmentido apresentado é apenas “oficial”. “A vida das jovens mulheres era a coisa mais importante”, declarou Selva, membro da Aliança Nacional, um dos partidos na coalizão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Governo nega “Em princípio, não devemos nos curvar à chantagem, mas desta vez creio que tínhamos que nos curvar – mesmo que isso abra um caminho perigoso porque é óbvio que tanto por razões políticas como criminosas, outros vão querer tomar mais reféns para fazer dinheiro”, disse Selva à RTL. O governo italiano não confirma que foi pago resgate. Contactada pela correspondente da BBC Brasil em Roma, Assimina Vlahou, a assessoria de imprensa do governo repetiu as palavras de Berlusconi, que na terça-feira negou a hipótese. Mas a imprensa italiana dá como certo que um resgate foi pago pelo libertação de Simona Torretta e Simona Pari, seqüestradas em Bagdá no dia 7 de setembro. Segundo o jornal italiano Il Foglio, próximo a Silvio Berlusconi, houve mesmo pagamento de resgate. O diário escreve ainda que a libertação das duas voluntárias foi possível graças à operação dos serviços secretos italiano, kuwaitiano e jordaniano. Os principais jornais do país, Corriere della Sera e La Republica, dizem que o valor do resgate foi US$ 1 milhão, citando como fonte o diário do Kuwait Rai Al Aam, em artigos de seu diretor, Ali Al Roz, e do correspondente em Bagdá, Issam Fahm. Negociações Segundo o jornal kuwaitiano, uma delegação italiana encontrou em Bagdá chefes de tribos locais e o conselho dos líderes religiosos que controlam o triângulo sunita. Os primeiros pedidos teriam sido a retirada dos soldados italianos do Iraque e a liberação de mulheres iraquianas presas. Diante da recusa, os seqüestradores – pertencentes a um grupo de ex-integrantes do Partido Baath, de Saddam Hussein – lançaram o pedido de US$ 5 milhões. Inicialmente os italianos não aceitaram e o grupo ameaçou matar as reféns. Retomadas as negociações, os italianos teriam oferecido US$ 1 milhão, o que foi aceito. Além do dinheiro, os seqüestradores pediram – obtiveram – o tratamento de 15 crianças iraquianas doentes na Itália. Dois pagamentos O dinheiro teria sido entregue em dois pagamentos. A primeira parte foi na segunda-feira, depois que os negociadores italianos tiveram a prova de que as reféns estavam vivas, por meio de uma fita na qual foram gravadas as vozes das duas. Os restantes US$ 500 mil teriam sido pagos na terça-feira, pouco antes da libertação. Na semana passada serviços americanos teriam descoberto o local do cativeiro das reféns mas o governo italiano, de acordo com a oposição, decidiu não correr o risco de uma invasão, optando pela continuação das negociações. Apoio da oposição Até agora a hipótese do pagamento de um resgate parece não ter escandalizado os italianos, nem mesmo a oposição de esquerda ao governo de Silvio Berlusconi, contrária à presença italiana no Iraque. Governo e oposição instauraram uma inédita solidariedade nacional em torno do seqüestro das voluntárias e muitos líderes políticos chegaram a afirmar que o pagamento de um resgate não seria algo tão grave. “Se foi pago um resgate, foi feito somente o bem, precisava tratar de todas as maneiras para salvar vidas humanas”, afirmou o líder de Refundação Comunista Fausto Bertinotti . É da mesma opinião o secretario do maior partido da esquerda italiana, Demoratici di Sinistra, Piero Fassino. “Tudo deveria ser feito para liberá-las.” |
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