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Atualizado às: 03 de setembro, 2004 - 10h48 GMT (07h48 Brasília)
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Promotores apelarão contra decisão sobre atentado na Argentina
Local da explosão na Amia, em 1992
Explosão em 1992 matou 85 pessoas em Buenos Aires
Promotores da Argentina dizem que planejam recorrer de decisão da Justiça Federal Argentina de absolver todos os 22 acusados de envolvimento no atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia).

O atentado em Buenos Aires, considerado o pior da história do país, deixou um saldo de 85 mortos.

Um membro da Daia, uma organização judaica, disse que esse foi o pior resultado que se poderia esperar.

Parentes das vítimas também se opuseram à sentença. Eles estão organizando uma manifestação para esta sexta-feira para protestar contra a decisão da Justiça.

Membros da comunidade judaica da Argentina, a maior da América Latina, acusaram o governo de Carlos Menem de dificultar as investigações, acusação que foi fortemente negada.

Novas investigações

Os juízes consideraram que não havia provas suficientes para incriminar os acusados - entre eles Carlos Telleldín, apontado como responsável por preparar o carro-bomba que teria explodido no local, e dezessete policiais da Polícia de Buenos Aires.

A investigação realizada nos últimos três anos foi considerada “nula” pela Justiça Federal. Foi questionada até a hipótese de que houve um carro-bomba no incidente.

A explosão na sede da Amia ocorreu dois anos depois de um atentado contra a embaixada de Israel, também localizada na capital argentina, que deixou vinte e dois mortos.

Os juízes que trabalharam no caso da explosão na Amia no passado, Juan José Galeano e Gabriel Cavallo, passaram agora a ser investigados.

O objetivo dessa nova investigação será esclarecer de que forma o inquérito foi conduzido e os fatos que ocorreram após o atentado, como a destruição de fitas de vídeo que ajudariam a esclarecer a verdade.

Promotores, advogados de acusação e autoridades do governo do ex-presidente Carlos Menem - como o ex-ministro do Interior, Carlos Corach - também passaram a ser investigados.

Dia histórico

A quinta-feira foi considerada um dia histórico para uns, mas dramático para familiares das vítimas daquela explosão. Foram 35 meses de processo, e a leitura do veredicto provocou aplausos na sala de audiências.

Mas os familiares criticaram a decisão e marcaram protesto para esta sexta-feira, como contou Laura Grinberg, falando em nome dos parentes dos mortos.

“A justiça está arquivando um crime terrível e sequer se interessou em pedir documentos secretos que podem ser fundamentais para revelar a verdade daquele atentado que matou nossos familiares. Voltamos à estaca zero”, disse Laura Grinberg, parente de uma das vítimas.

O advogado da Amia, Juan José Ávila, disse que o resultado lhe surpreendeu. “Eu esperava por justiça, mas a anulação desse caso me deixa de luto”, afirmou.

Por sua vez, advogados de Telleldín disseram que a justiça argentina deve um pedido de desculpas ao ex-acusado. “Ele passou dez anos preso por uma mentira, que foi esse processo”, declarou um deles diante das câmeras da TV.

Somente em novembro, serão divulgados os argumentos que levaram à absolvição de todos os envolvidos.

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