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Promotores apelarão contra decisão sobre atentado na Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Promotores da Argentina dizem que planejam recorrer de decisão da Justiça Federal Argentina de absolver todos os 22 acusados de envolvimento no atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia). O atentado em Buenos Aires, considerado o pior da história do país, deixou um saldo de 85 mortos. Um membro da Daia, uma organização judaica, disse que esse foi o pior resultado que se poderia esperar. Parentes das vítimas também se opuseram à sentença. Eles estão organizando uma manifestação para esta sexta-feira para protestar contra a decisão da Justiça. Membros da comunidade judaica da Argentina, a maior da América Latina, acusaram o governo de Carlos Menem de dificultar as investigações, acusação que foi fortemente negada. Novas investigações Os juízes consideraram que não havia provas suficientes para incriminar os acusados - entre eles Carlos Telleldín, apontado como responsável por preparar o carro-bomba que teria explodido no local, e dezessete policiais da Polícia de Buenos Aires. A investigação realizada nos últimos três anos foi considerada “nula” pela Justiça Federal. Foi questionada até a hipótese de que houve um carro-bomba no incidente. A explosão na sede da Amia ocorreu dois anos depois de um atentado contra a embaixada de Israel, também localizada na capital argentina, que deixou vinte e dois mortos. Os juízes que trabalharam no caso da explosão na Amia no passado, Juan José Galeano e Gabriel Cavallo, passaram agora a ser investigados. O objetivo dessa nova investigação será esclarecer de que forma o inquérito foi conduzido e os fatos que ocorreram após o atentado, como a destruição de fitas de vídeo que ajudariam a esclarecer a verdade. Promotores, advogados de acusação e autoridades do governo do ex-presidente Carlos Menem - como o ex-ministro do Interior, Carlos Corach - também passaram a ser investigados. Dia histórico A quinta-feira foi considerada um dia histórico para uns, mas dramático para familiares das vítimas daquela explosão. Foram 35 meses de processo, e a leitura do veredicto provocou aplausos na sala de audiências. Mas os familiares criticaram a decisão e marcaram protesto para esta sexta-feira, como contou Laura Grinberg, falando em nome dos parentes dos mortos. “A justiça está arquivando um crime terrível e sequer se interessou em pedir documentos secretos que podem ser fundamentais para revelar a verdade daquele atentado que matou nossos familiares. Voltamos à estaca zero”, disse Laura Grinberg, parente de uma das vítimas. O advogado da Amia, Juan José Ávila, disse que o resultado lhe surpreendeu. “Eu esperava por justiça, mas a anulação desse caso me deixa de luto”, afirmou. Por sua vez, advogados de Telleldín disseram que a justiça argentina deve um pedido de desculpas ao ex-acusado. “Ele passou dez anos preso por uma mentira, que foi esse processo”, declarou um deles diante das câmeras da TV. Somente em novembro, serão divulgados os argumentos que levaram à absolvição de todos os envolvidos. |
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