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Presos de Guantánamo negam ter combatido EUA
Sala onde estão sendo realizadas as audiências
Sala onde estão sendo realizadas as audiências em Guantánamo
Dois afegãos negaram ser combatentes inimigos dos Estados Unidos ao comparecer frente a juízes militares que estão revisando a detenção dos presos em Guantánamo.

Os prisioneiros apareceram algemados e presos com correntes e admitiram que eles faziam parte do grupo Talebã, mas negaram ter lutado contra os americanos.

Pela primeira vez, jornalistas receberam autorização dos Estados Unidos para assistir às audiências.

O Tribunal Militar americano está avaliando, desde sexta-feira passada, se alguns dos cerca de 600 presos devem continuar detidos como "combatentes inimigos" ou devem ser libertados.

Os detentos, presos em Guantánamo desde janeiro de 2002, estão tendo a oportunidade inédita de apresentar uma defesa formal.

Maus-tratos

Cinco dos oito prisioneiros ouvidos até agora se recusaram a tomar parte das audiências, mas, segundo as autoridades americanas, todos serão processados mesmo que não queiram comparecer pessoalmente ao tribunal.

O repórter da BBC Nick Childs estava entre os jornalistas que compareceram à audiência na base militar de Guantánamo.

A apenas alguns metros dele estava um prisioneiro, fraco e com uma barba grossa.

"Ele estava algemado e seu pé estava acorrentado no chão. Ele vestia a habitual roupa laranja de prisioneiros. Tudo que posso dizer em termos de identificação é que ele é um afegão de 31 anos", disse Childs.

Os três oficiais militares, que estão presidindo o processo, ouviram a acusação contra ele: que era um membro do Talebã, soldado que recebeu uma arma, foi para o norte do Afeganistão para lutar contra a Aliança do Norte e foi pego com um líder do Talebã.

Falando com um intérprete, o homem negou ser um combatente e disse que o Talebã deu armas para todo mundo.

O secretário da Marinha americana, Gordon England
Os prisioneiros não têm advogados, mas “representantes pessoais”

"Eu me rendi aos americanos porque acreditava que eles fossem partidários dos direitos humanos. Nunca ouvi falar que os americanos tenham maltratado alguém no passado", disse o afegão.

O prisioneiro perguntou quando ele saberia sobre a decisão e se seria mandado de volta para seu país.

Após uma hora de audiência, os jornalistas tiveram que se retirar da sala para que os oficiais analisassem informações confidenciais.

Críticas

O Pentágono decidiu ir adiante com as audiências depois de forte pressão no Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O secretário da Marinha americana, Gordon England, que está supervisionando o processo, rejeitou as críticas de que o processo seria falho.

"Estamos permitindo que os detentos compareçam às audiências e apresentem seus casos e temos uma pessoa para trabalhar com eles", disse England à Rádio BBC 4.

Segundo ele, os prisioneiros não têm advogados, mas "representantes pessoais", porque é um procedimento administrativo e não legal.

England ainda disse que os detentos estavam sendo tratados como "combatentes inimigos" e não prisioneiros de guerra porque "não há guerra declarada entre os dois países".

Caso o Tribunal Militar conclua que um prisioneiro não está qualificado como "combatente inimigo", ele deverá ser solto.

England diz que há essa possibilidade, mas que não espera que "um grande número" seja libertado.

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