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Diplomatas em brasa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Desconheço como e onde se formam os diplomatas britânicos. Julgando-se pela semana que passou, nada tem a ver com nosso Itamaraty, belo palacete no Rio com um lago na frente onde nadavam serenos alguns cisnes. Os embaixadores britânicos andaram mandando brasa na semana passada. Nada a ver com uma das principais acepções dada pelo Aurelião: a de “indivíduo de aspecto fino, porte distinto” e “negociador hábil”. É só conferir: primeiro teve o embaixador britânico no Uzbequistão, Craig Murray, país logo ali ao lado do Iraque, importantíssimo na conjuntura atual e de imenso interesse tanto para a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, ou seja, a famosa coalizão. Sua excelência, o embaixador britânico abandonou as regras da rasgação-de-seda, da imunidade e isolação diplomática e reportou, para seu governo, uma série sistemática de estupros heterossexuais e homossexuais, além da prática habitual de tortura, contando entre outras coisas com a imersão do corpo da vítima em água fervendo. Segundo sua excelência o embaixador, “milhares de pessoas passam por essa última tortura a cada ano.” Em outubro de 2002, sua excelência o embaixador fez um discurso diante de outros diplomatas e autoridades do Uzbequistão condenando “a tortura e a brutalidade reinante nas prisões do país.” Pra quê? Tremendo bafafá entre o ministério do Exterior britânico e seu lídimo representante. Bafafá que perdura e ganha espaço nos telejornais e jornais de qualidade de cá. Depois veio o Alto-comissário britânico no Quênia. Alto-comissário é o título que se dá aos embaixadores entre os países que compõem a Commonwealth. Chama-se Edward Clay e saiu do protocolo quando acusou o governo do Quênia de cobiça, arrogância e corrupção. Autoridades quenianas, inclusive o presidente Mwai Kibaki, protestaram, é claro. Têm negociatas, drogas, tutu e subornos no esquema. Sempre segundo o diplomata britânico. Mais uma vez, a coisa vem ganhando espaço na imprensa britânica e, quero crer, queniana também. Diante disso tudo, eu quero saber o seguinte: cadê os pacatos cisnes deslizando diante da escola formadora de diplomatas britânicos? |
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