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Atualizado às: 12 de julho, 2004 - 10h16 GMT (07h16 Brasília)
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O preço da liberdade
Ivan Lessa
Os americanos têm mania de liberdade. Não sabem direito o que é e dispõem até de duas modalidades diversas para a ela se referirem – “freedom” e “liberty”.

Deles ainda, a estátua que a comemora, em Nova York, um mimo francês. A liberdade, em suas várias modalidades, come solta atualmente.

Confiram os centros de detenção (não chamar de prisão!) de Guantánamo e Abu Ghraib.

Neles, a liberdade abriu suas vastas asas e avoou – para onde não se sabe.

Cartas de baralho

Os americanos sabem o preço de tudo e todos. Bin Laden são US$ 25 milhões batidos na entrega.

Os 50 e tantos líderes iraquianos que viraram cartas de baralho ninguém sabe direito quanto foi pago por carta figurada ou simples. Saddam, ninguém levou.

Os americanos sabem economizar. Os americanos entendem de dinheiro.

No entanto, vivem querendo saber qual o preço da liberdade.

Dizem os livros de citações: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Acontece que vigilância eterna custa os tubos.

Basta somar ordenado de soldado raso, general três estrelas, deputado, senador, preço de fuzil, tanque e assim por diante. A liberdade não tem preço.

Candidatos ricos

Agora, os líderes da nação valem quanto pesam. Em ouro, platina, brilhantes, urânio, o que for mais caro e estiver dando sopa.

Sai (e também dá) uma nota dirigir os destinos manifestos da nação mais poderosa do mundo.

Vejam só os quatro candidatos à presidência e vice-presidência do país nas eleições de novembro.

Segundo cálculos de especialistas, feitos para a edição da semana passada da revista “Forbes”, o quarteto maravilhoso composto de George W. Bush, Dick Cheney, John Kerry e John Edwards constitui os candidatos mais ricos da História americana.

A renda anual de Kerry e excelentíssima senhora beira os US$ 5 milhões, superando a todos.

Dick Cheney é bem mais rico que seu chapa companheiro de chapa: ele e madame levaram para casa, em 2003, US$ 1,3 milhão, além de possuírem US$ 75 milhões em títulos isentos de impostos, mais US$ 10 milhões em ações ordinárias.

Bush e primeira-dama? Quase fichinha: faturaram US$ 822,126 mil no ano passado, tendo economias no valor de US$ 8,7 milhões em bônus do Tesouro americano.

Calculadoras e mãos à obra: aí está o preço da liberdade.

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