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Atualizado às: 02 de julho, 2004 - 12h58 GMT (09h58 Brasília)
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Ciência e impotência
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Está confirmado: os cientistas perdem a libido dez anos antes dos escritores e jornalistas. E cinco anos antes de advogados, corretores da bolsa e garagistas.

Ficam então rondando essas pessoas e outras de inúmeras profissões liberais, fazendo perguntas inconvenientes e pedindo para que contem para eles tudo que fazem no setor sexual e "como é que é" e "se foi bom mesmo".

Confesso que não tenho pena desses cientistas destituídos, talvez precocemente, de um dos maiores prazeres e alegrias que é dado a homens e mulheres na Terra desfrutar. Castigo anda a cavalo, cientistas!

Claro que isso que eu acabo de dizer carece de qualquer verdade. Não tenho a menor idéia de quando – ou até mesmo se – os cientistas (e as cientistas) despedem-se da libido. Posso, no entanto, torcer.

É uma forma de vingança, de wishful thinking, para me expressar na língua em que eles, cientistas, mais gostam de se pronunciar. Ou melhor, nos pronunciar.

É em inglês que vêm as gordas verbas para que eles fiquem num laboratório atormentando a vida de ratinhos para, mais tarde, vir nos chatear em casa ou no escritório.

Nove em cada dez pesquisas científicas são ou totalmente inúteis ou só servem para nos deprimir. Tomemos como exemplo a semana passada. Enumeremos apenas duas das safadezas que os cientistas aprontaram conosco em pontos diferentes do globo terrestre.

Primeiro, foi com os celulares. Tudo bem, eu também implico com esses ubíquos mecanismos, sempre trinando em lugares inconvenientes, incomodando os circunstantes e incitando a uma prosa inútil, para não dizer malsã. Os cientistas da Universidade de Szeged, na Hungria, chegaram à conclusão de que a radiação dos celulares pode reduzir em mais de 33% o número de espermatozóides.

Atenção: os letrados senhores húngaros disseram que "pode". Quer dizer, não é garantido. Assim até eu. Conforme fiz e disse no começo deste papo.

O segundo exemplo: cientistas da Universidade de Florença, na Itália, chegaram à conclusão (as publicações, mesmo as profissionais, são sempre vagas nos detalhes) de que ver televisão acelera o processo da puberdade.

Ora, eles tacaram uma garotada diante daqueles programas terríveis da televisão italiana e ficaram anos observando suas partes pudendas? Tenham a santa paciência, senhores e senhoras cientistas. Vocês vão perder a libido antes de todo mundo é o resultado de minhas pesquisas e – tal como com vocês – devaneios.

Arquivo - Ivan
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