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O cachorro do Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Não, não estou citando Saddam Hussein quando chamado a juízo no Iraque pelas autoridades iraquianas, para iraquianos (mas com uma ajudinha dos americanos, né?), afim de iniciar um processo que, pelo que vi, em nenhum momento menciona a posse de armas de destruição em massa, as quais, afinal, teriam sido o pretexto para a invasão e ocupação do país. De terno, camisa branca nova e sem gravata, Saddam Hussein, a uma certa altura do interrogatório, referiu-se ao “cachorro do Bush”. Tudo indica tratar-se de Barney e não de Bush pai ou filho. Quem é Barney? Barney é precisamente o que Saddam disse que era: um cachorro. O cachorro do presidente George W. Bush. Barney é um scottish terrier e pode ser encontrado na Net, como quase tudo nesse mundo que já foi de Deus e agora parece ser do Bill Gates. Mais precisamente no sítio www.whitehouse.org/barney. Sugiro que dêem uma chegada. É mais divertido que Saddam no tribunal ou Bush num pódio. Falar nisso, em Istambul, Bush disse, e eu o cito, que “algumas pessoas no mundo islâmico confundem democracia com o que há de pior na cultura popular ocidental”. E acrescentou que “pode assegurar a todos que quando falo das benções da liberdade, os vídeos grosseiros e o crasso comercialismo não são o que tenho em mente”. O que tem Bush em mente? Não disse. Mistério. Talvez Barney. De certa feita, Bush deixou Barney cair de cabeça no chão. Juram que foi acidente. Nenhum indício que sugira maldade ou indiferença para com o irracional seu irmão. Mas eu vinha falando do sítio de Barney. Chegaram lá? Confiriram as mais recentes notícias a seu respeito? As cartinhas que recebe e responde? A delícia que é ele só se referir ao mestre e amo, Bush, como Daddy? E que Daddy às vezes o chama de Barn? E que só dois meses antes da posse de Daddy é que ele foi parar na família? Conforme é de praxe democrática norte-americana presidente ter cachorro? Barney disputa o afeto de Daddy e Mommy Bush com uma gata chamada India. Zero a zero no placar. Ah, na página da Casa Branca, antes de se chegar ao Barney, há pequenas notícias e dicas. Como a seguinte: “Novas maneiras de se torturar possíveis terroristas sem deixar marcas”. Sim, claro, é tudo gozação. Mas a colunista Marina Hyde, do The Guardian, semana passada, levou tudo a sério e a sério deu as coordenadas. Às vezes, os ingleses decepcionam. Cadê a famosa ironia? Terá ficado a caminho de se juntar às forças da coalizão? |
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