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Alta cultura é mais embaixo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os britânicos são bons de uma porção de coisas. Sinuca, teatro, parada. São bons de torcida e bisonhos em futebol. Podem ter um torneio de tênis dos mais prestigiosos em clube lindo feito Wimbledon, mas tenistas, que é o que interessa, nada. A não ser o pobre do Tim Henman, cognominado "Tim o Tigre", mas que, na verdade, está mais é para "Tim, o Totó de Madame". Cultura também é com eles: eis Shakespeare que não deixa ninguém no mundo mentir ou conseguiu explicar como e por que surgiu, escreveu e sumiu. Ainda na cultura, que é meu assunto hoje, os britânicos também arranham uma banda de rock, até onde posso e consigo julgar, e escrevem seus livrinhos. O diminutivo é proposital. Também dão suas pinceladas, além de conceituarem e se instalarem nas onze. Agora, na hora de oficializar uma cultura, de botar os pontos nos ii, com todos seus efes-e-erres, os britânicos não estão com nada. Uns insossos. Nada mais sem molho do que um ministro da Cultura britânico falando sobre assunto de sua competência. Em matéria de verbalização cultural, nós, brasileiros, damos de 10 a 0, ganhamos de lavagem. Eu mato a cobra e mostro o pau. Vejam um exemplo recente de uma declaração da ministra da Cultura, Tessa Jowell, do gabinete de Tony Blair. A respeito de um processo vindouro mediante o qual a minha, a sua, a nossa BBC terá sua constituição revista, a ministra da Cultura Jowell disse o seguinte (e traduzo – Au! Au! – com fidelidade canina): "Todos os aspectos da BBC serão examinados no processo." Ora, isso qualquer membro da plebe rude e ignara não só diria como também entenderia. Ministro da Cultura é nosso bom, nosso grande, Gilberto Gil. Vou direto a uma amostragem cultural de sua dialética. Na quinta-feira, dia 17 de junho, de improviso, disse ele que "temos de pensar holístico". Afirmou que há necessidade de "inventar alvos imaginários" e complementou seu pensamento dizendo que "queremos estar certos e errados. Queremos estar completos. Destampam-se, sim, todas as garrafas, para que todos os gênios saiam delas". Cultura, em sua modalidade ministerial, querido britânico, é isso aí. It is that there. |
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