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Atualizado às: 09 de julho, 2004 - 10h45 GMT (07h45 Brasília)
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Monty Python no Iraque
Ivan Lessa
Terry Jones vocês sabem quem é. Um dos Monty Python. Aquele mais gordinho.

Ora pois, pois. Terry Jones além de ser um dos mais prendados do ex-grupo, tendo dirigido aquele que é, sem sombra de dúvida, o melhor filme dos Python, A vida de Bryan, nas horas nada vagas escreve sobre sua especialidade, a Idade Média, como também sobre política atual. Idade Média e política atual, digo eu, têm mais a ver uma com a outra do que se pensa.

Colaborador frequente do jornal The Guardian, Terry Jones na primeira semana da – vamos botar aspas nisso – “soberania” do Iraque escreveu um artiguete sobre certas contradições no Iraque 2004, para dar um nome ao país emergente.

O difícil, para o olho e ouvido não treinados, é saber se Terry Jones está brincando ou falando sério.

Liquidação

Ele diz, por exemplo, que, de agora em diante, o presidente Bush poderá antecipar ou adiar qualquer feriado nacional americano sem aviso prévio, tal como fez com a antecipação da “transferência de poder” (olha as aspas de novo) no Iraque.

Assim, o 4 de julho do ano que vem poderá ser comemorado no 2 ou no 6 de julho, ou até mesmo em junho. Claro, Terry Jones aí está sendo Pythonesco, está gozando. Ele prossegue argumentando que toda e qualquer cerimônia nacional americana não poderá durar mais que 20 minutos. Tal como foi no Iraque.

No entender de Terry Jones, a lição mais importante é a de que todas as cerimônias não deverão significar nada. E exemplifica com o célebre bilhete da conselheira de segurança nacional, dra. Condoleezza Rice para Bush, em que ela diz que – e cito – “o Iraque é soberano”, sobre o qual o presidente americano escreveu “Que reine a liberdade”.

Terry Jones comenta a realidade dessa liberdade referindo-se aos 140 mil soldados americanos postados no país e sobre o qual o novo governo iraquiano não tem qualquer controle.

O tal “governo soberano do Iraque” não poderá julgar quaisquer americanos ou estrangeiros que, no decorrer do último ano, tenham matado, aleijado ou torturado civis iraquianos. Mais: e a Diretiva 39, que abre as comportas do Iraque para o investimento estrangeiro independente das coordenadas do FMI?

Isso significa que é só chegar e se esbaldar no Iraque, um país em liquidação, concluo eu.

Saudades dos Monty Python? Eu também. Mas que bom que o Terry Jones está por aí – danado de sério. Brincadeira tem hora.

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