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Bolivianos decidem futuro de reservas de gás natural | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente boliviano, Carlos Mesa, reafirmou sua confiança de que os bolivianos vão votar em massa no referendo deste domingo, sobre o futuro das reservas de gás natural do país. A principal pergunta do referendo é se o presidente Mesa deve prosseguir com as exportações de gás. Caso a resposta seja positiva, os eleitores também decidem que papel o Estado e as empresas estrangeiras devem ter nas exportações. A consulta popular está sendo vista como um voto de confiança no governo de Mesa. A população indígena e sindicatos de trabalhadores querem que o gás boliviano seja nacionalizado, mas a opção não consta do referendo. Protestos No sábado, manifestantes queimaram pneus em El Alto, uma cidade de 800 mil habitantes que fica próxima da capital La Paz. Cerca de 200 pessoas foram às ruas durante o protesto, que foi chamado por Mesa como um ato "de grupos radicais minúsculos". El Alto foi palco de protestos violentos em outubro passado contra a exportação de gás para os Estados Unidos e para o México. O saldo de 80 mortes levou à renúncia do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. O descontentamento popular que acabou com o governo de Sánchez de Lozada foi iniciado por causa do projeto de exportar gás através do Chile, país a quem a Bolívia teve que ceder seu acesso ao mar, depois da derrota na guerra de 1879-84. Analistas prevêm que apesar do apoio à idéia de nacionalização, Mesa tem boas chances de vencer no referendo. "Os grupos indígenas estão divididos," disse Mario Roque, editor do jornal El Alteno à agência Reuters. "Desta vez há pessoas que acreditam em Mesa. E as feridas de outubro ainda não foram fechadas. Eles não estão prontos para mais protestos, para mais mortes", acredita Roque. Cinco perguntas Ao todo, os 4,4 milhões de eleitores bolivianos vão responder a cinco perguntas. Além de decidir se o gás deve ser exportado, os bolivianos vão responder se o governo deveria retomar o controle sobre o setor de gás, aberto a investimentos privados desde a metade da década de 90.
Eles também vão responder se o gás deve ser usado como moeda de barganha em quaisquer negociações que venham a ocorrer com o Chile sobre a disputa territorial e a ambição boliviana de recuperar acesso ao Oceano Pacífico. O país é o mais pobre da América do Sul e 55% dos 8,7 milhões de bolivianos são indígenas. Desde que a a privatização foi iniciada, cerca de 20 empresas estrangeiras investiram US$ 3,5 bilhões em exploração das reservas, calculadas em 1,56 trilhão de metros cúbicos. Segundo a agência Associated Press, no leste e no sudeste, onde ficam as reservas, empresários envolvidos na exportação ameaçaram iniciar um movimento secessão, para separarem-se do resto do país. E apesar de o referendo poder ser aprovado como quer Mesa, alguns analistas acreditam que o verdadeiro teste para o presidente possa acontecer em seis meses, quando o Congresso tiver tido tempo de começar a legislar com base nos resultados no referendo. "Um dos problemas é que a Bolívia já exporta gás para o Brasil e para a Argentina", afirmou Fernando Molina, editor do jornal semanal Pulso, à AP. "O que vai acontecer se o povo votar contra a exportação?", indagou. |
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