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Atualizado às: 16 de novembro, 2003 - 03h41 GMT (01h41 Brasília)
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Líder de oposição boliviano busca aprender com o PT
Evo Morales
Morales se considera o "irmão menor" do presidente Lula

O deputado e líder dos produtores de coca da Bolívia, Evo Morales, discutiu no sábado, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma aliança estratégica entre o PT e seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS).

“Foi o primeiro encontro. É preciso ter paciência para se mudar um governo”, ele falou à BBC Brasil.

“No MAS, estamos apenas começando, diferente do partido dele, que tem mais de 20 anos. Acredito que, com a experiência do presidente Lula, podemos unir os movimentos sociais para que um dia eles estejam no poder”,

O encontro aconteceu em Santa Cruz de La Sierra, onde foi realizada a 13º Cúpula Latino-Americana. Segundo Morales, os assuntos abordados, foram gás, petróleo, a situação indígena, e democracia,

“Concordamos que, de forma paulatina, podemos mudar o modelo económico. Se queremos paz e justiça social, necessariamente tem de haver igualdade. Isso passa pela criação de uma consciência social, para podermos, na Bolívia, por exemplo, recuperarmos o gás e o petróleo bolivianos.”

Coincidências

Morales foi um dos principais líderes das manifestações populares ocorridas no mês passado, que culminaram com a renúncia do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.

Hoje, ele é um grande crítico do atual governo do presidente Carlos Mesa, e não esconde seu objetivo de chegar à presidência da Bolívia. O presidente brasileiro seria, segundo ele, um modelo a ser seguido.

“Eu me considero o irmão menor do Lula porque, temos muitas coincidências em nossas vidas."

"Ele saiu do movimento sindical para ser presidente, e eu estou no mesmo caminho. Li reportagens que dizem que seus pais são analfabetos, e os meus também. E nós temos humildade para construir um instrumento político.

“Estas coincidências nos obrigam a compartilhar nossas experiências.”

Processo democrático

Como resultado prático do encontro, ele recebeu uma abertura para fortalecer o movimento e um eventual intercâmbio de pessoas para buscar soluções.

Presente na reunião, estava também o ministro Celso Amorim, que considerou a reunião “boa”, e salientou a importância de todos os participantes do jogo político, manterem-se dentro das vias democráticas.

“Evo Morales é um líder político de grande peso. Acho que é importante para a Bolívia que exista um diálogo interno. A conversa foi sobre incentivar este diálogo, demonstrar como no próprio Brasil o partido do presidente Lula chegou ao governo através da democracia e da paciência, por meio do processo democrático.”

Apoio

O ministro disse que o encontro abordou a possibilidade de um maior diálogo entre o PT e o MAS. “Eles falaram mais em buscar a experiência que o PT teve em administrações municipais, se eventualmente, eles ganharem muitas prefeituras.”

Amorim reiterou o apoio ao governo do atual presidente Carlos Mesa, criticado por Morales,

“O governo brasileiro apoia o presidente Mesa. Achamos que é importante dar apoio não só com palavras, mas contribuições materiais dentro de nossas possibilidades, para levar adiante este trabalho de consolidar a democracia.”

“O Brasil tem consciência de que a Bolívia vive uma situação complicada, um momento difícil. Passou por uma transição complexa, que é ainda uma situação que precisa de apoio.”

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