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Atualizado às: 16 de janeiro, 2004 - 23h59 GMT (21h59 Brasília)
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Brasil estuda entrada em grupo de apoio à Bolívia

Manifestantes em La Paz
A Bolívia atravessa a crise desde a renúncia de Sanches de Lozada

O Brasil ainda não decidiu se aceita ou não o convite dos Estados Unidos e do México para participar de um grupo de apoio à Bolívia, com o objetivo de ajudar o país a sair da crise econômica e política em que se encontra.

Representantes americanos, mexicanos e bolivianos se reuniram nesta sexta-feira, em Washington, com outros de 16 países convidados a aderir ao bloco – Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, Irlanda, Itália, Japão, Suécia e Uruguai.

“Os países interessados vão manter contatos com os governos do México e Estados Unidos para organizar o grupo”, disse o subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado americano, Mark Grossman.

“O Brasil participou da reunião e enviou o assunto para Brasília para que uma decisão seja tomada pelo ministro das Relações Exteriores (Celso Amorim)”, disse o embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, que participou da reunião ao lado do chefe do Departamento das Américas do Itamaraty, embaixador João Felício.

Bilateralismo

O embaixador destacou que o Brasil já apóia a Bolívia intensamente em relações bilaterais.

“Já implantamos iniciativas para apoiar a Bolívia, como os financiamentos internacionais do BNDES e a compra de gás boliviano, além do perdão da dívida de US$ 53 milhões com o Brasil”, disse Barbosa.

 Vamos fazer todos os esforços para apoiar os brasileiros e a democracia brasileira.

Mark Grossman, subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado americano, confundindo Brasil e Bolívia

“Na semana que vem a ministra (das Minas e Energia), Dilma Roussef, vai visitar a Bolívia para ver como podemos ampliar nossa integração na área de energia.”

Os americanos intensificaram as articulações para a formação deste grupo durante a Cúpula das Américas, realizada em Monterrey, no México, na segunda-feira e na terça-feira desta semana.

“Esta reunião é uma das primeiras conseqüências concretas da reunião de Monterrey”, destacou o embaixador mexicano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Miguel Cabañas.

Disputa

Alguns diplomatas brasileiros e analistas vêem a iniciativa americana como uma maneira de se contrapor às tentativas brasileiras de assumir a liderança política na América do Sul, ressaltando que muitos dos países convidados não têm qualquer relação com a Bolívia.

Na terça-feira, em Monterrey, ao ser indagado sobre a possibilidade de formação deste grupo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil apoiaria qualquer iniciativa para ajudar a Bolívia, e que não o país fazia questão de ter a “paternidade” das idéias.

Mas, logo em seguida, o presidente fez questão de destacar as relações bilaterais entre o Brasil e a Bolívia, citando também a visita que será realizada pela ministra Dilma Roussef.

O chefe do gabinete da Presidência boliviana, Antonio Galindo, agradeceu o apoio dos Estados Unidos e do México e disse que seu governo já tem um plano de médio e longo prazo com o objetivo de resolver a crise política e econômica do país.

Gafe

“Não queremos uma conferência de doadores, mas países que possam dar um apoio ao plano boliviano”, disse.

Galindo não deu detalhes sobre o planos, mas deixou uma indicação de que aumentos nos impostos podem fazer parte do pacote.

“Se os outros estão nos ajudando, não podemos, nós, deixarmos de nos ajudar”, respondeu o ministro a uma pergunta de um jornalista sobre o assunto.

Ao dizer que os americanos tinham toda a intenção de ajudar a Bolívia, o subsecretário americano Mark Grossman citou o Brasil duas vezes por engano.

“Vamos fazer todos os esforços para apoiar os brasileiros e a democracia brasileira”, disse Grossman, quando na verdade queria se referir à situação boliviana.

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