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Novo presidente boliviano, Carlos Mesa, pede união nacional
O novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, pediu a união nacional, horas depois que seu predecessor, Gonzalo Sánchez de Lozada, foi pressionado a renunciar. O ex-presidente chegou neste sábado a Miami, acompanhado da família e de simpatizantes políticos. O Departamento de Estado americano elogiou o que chamou de "comprometimento com a democracia" e disse lamentar as circunstâncias que levaram à renúncia de Lozada. Na capital administrativa boliviana, La Paz, os manifestantes saíram às ruas para comemorar, cantando o hino nacional. Referendo e eleições Carlos Mesa, que era vice de Lozada, assumiu oficialmente o cargo de presidente por volta das 22h30 (23h30 em Brasília) da sexta-feira. Muito aplaudido pelos parlamentares em seu primeiro discurso no Congresso como presidente da República, Mesa prometeu combater a corrupção, convocar eleições presidenciais e uma Assembléia Constituinte. Ele disse ainda que vai realizar um referendo sobre a venda de gás natural – uma das gotas d'água da onda de protestos que assolou o país nas últimas semanas, que provocaram várias mortes e culminaram com a queda de Lozada. "Vamos discutir que país queremos e quais são as regras do jogo sob as quais este país vai funcionar", disse Mesa, pedindo que os mortos nos conflitos sejam lembrados. Mesa disse que a Constituinte vai deliberar sobre os "recursos naturais, o tema da terra, a concepção da participação democrática cidadã e sobre a estrutura de funcionamento do mecanismo de apresentação sobre o conjunto dos temas". O presidente também disse que vai convocar eleições em um período "razoável". "Eu entendo que a minha obrigação hoje é presidir um governo de transição histórica. Deixo planteada esta proposta para que possamos estudar com serenidade o espaço e o tempo de desenvolvimento desta gestão", afirmou.
"Quero propor a consideração de um tempo que nos permita convocar eleições transparentes, acreditáveis e efetivas para consagrar um novo presidente num tempo que se traduza como razoável." Mesa disse que a exportação de gás natural, considerada um dos estopins da última onda de protestos, será decidida pelo povo. "O tema do gás não pode ser respondido hoje sem a participação do conjunto dos bolivianos", disse. "O que decidirmos em torno dessa riqueza natural será decisivo para o nosso desenvolvimento interno e para o nosso relacionamento com o mundo." Na votação da Câmara sobre o pedido de renúncia de Sánchez de Lozada, 84 deputados disseram sim à renúncia e 26, não. No Senado, 13 senadores disseram sim e quatro, não. Ou seja: 97 congressistas foram a favor e 30, contra. Em sua carta, Sánchez de Lozada se mostrou magoado por ter sido praticamente forçado a entregar o cargo. "Espero que a minha renúncia ajude o país a sair dessa crise", escreveu o ex-presidente, descrevendo a sua saída como um "precedente funesto para a democracia boliviana e sul-americana". Críticas
Em sua carta de renúncia, Sánchez de Lozada também fez duras críticas aos movimentos de oposição que forçaram a sua saída. "É meu dever advertir que os perigos que pairam sobre o país continuam intactos: a desintegração nacional, o autoritarismo corporativista e sindical e a violência fratricida." O ex-presidente acusou ainda esses grupos de não acreditar na democracia e utilizá-la segundo a sua conveniência. O ministério da Informação boliviano afirmou que o presidente já chegou à cidade de Santa Cruz de la Sierra com a sua família, depois de ter deixado a sua carta de renúncia para ser sancionada pelo Congresso. Em nota do Itamaraty, o governo brasileiro destaca um "firme compromisso" com a manutenção da paz e da democracia na América do Sul, além de reiterar a disposição de colaborar com a Bolívia. Pressão Sánchez de Lozada não suportou a pressão dos protestos contra o seu governo e renunciou ao seu mandato faltando três anos para o seu fim. "Espera-se que a decisão colabore para a paz", disse, de La Paz, o embaixador brasileiro Antonino Mena Gonçalves à Agência Brasil. Mena Gonçalves esteve reunido com o assessor diplomático Marco Aurélio Garcia, que foi enviado especialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para buscar uma solução pacífica para o conflito que deixou mais de 70 mortos. A Agência Brasil disse ainda que os representantes brasileiros participaram de várias reuniões com o ex-presidente e com o seu vice na sexta-feira, tentando chegar a um consenso. "Nesses encontros ficou mais ou menos claro que alguma coisa terá de ser feita politicamente. Talvez uma Assembléia Constituinte ou a convocação de novas eleições", disse Mena Gonçalves. Mudanças "Ainda é muito cedo para se ter uma noção mais clara da situação. Tudo está se desenrolando muito rapidamente", completou o embaixador. As ruas próximas à sede do Congresso boliviano estão fortemente vigiadas para evitar que ocorra qualquer tipo de incidente. A exigência dos manifestantes de que Sánchez de Lozada renunciasse foi expressada depois que o presidente propôs a realização de um referendo consultivo para decidir como seria feita a exportação de gás natural, a inclusão da Constituinte no sistema legal vigente e a revisão da lei de petróleo e gás. Os líderes da oposição se disseram contrários a proposta governamental. Eles disseram que ela chegou muito tarde, depois das mortes de mais de 70 pessoas e mais de 400 feridos. |
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