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Atualizado às: 17 de outubro, 2003 - 21h19 GMT (18h19 Brasília)
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Cientista político diz que Brasil 'chegou tarde' à Bolívia
O Exército tomou conta das ruas
Choques entre tropas do governo e manifestantes deixaram cerca de 70 mortos

Uma missão conjunta do Brasil e da Argentina chegou nesta sexta à Bolívia para participar das negociações para acabar com o conflito que já deixou mais de 70 mortos no país.

Mas para o cientista político boliviano Eduardo Gamarra, diretor do Centro de Estudos da América Latina e do Caribe da Universidade Internacional da Flórida, a missão de Brasil e Argentina deveria ter chegado antes.

"A participação internacional, particularmente de Argentina e Brasil, e de qualquer agência multilateral, é algo positivo, mas possivelmente a essas alturas seja muito tarde, precisamente porque o presidente Sánchez de Lozada perdeu o apoio de vários grupos que apoiavam o governo até o começo da semana", disse.

Já a participação dos Estados Unidos na resolução do conflito não é vista com bons olhos pelos bolivianos.

Cocaleiros

Os Estados Unidos têm uma política de erradicação de folhas de coca na Bolívia que é muito criticada e causa muito ressentimento entre a população indígena local. O principal opositor do regime, Evo Morales, é um líder cocaleiro.

Para Gamarra, os Estados Unidos não têm possibilidade de contribuir de maneira construtiva na busca de uma solução para o conflito.

"Todos os grupos de oposição estão contrários à participação americana, de qualquer forma. O problema principal neste momento é que os Estados Unidos fecharam com a opção Sánchez de Lozada", disse.

Segundo o cientista político, os Estados Unidos afirmam que Morales tem contatos com o líder líbio, Muammar Kadafi, e com Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

Os Estados Unidos também criticam o fato de Morales ter, supostamente, vínculos com o grupo extremista Sendero Luminoso, no Peru, além da ELN e das Farc, na Colômbia.

"Se Evo Morales chega ao poder na Bolívia, o país poderia se converter em uma espécie de Líbia da América do Sul, segundo os Estados Unidos", disse Gamarra.

Atualmente, a situação é mais explosiva em La Paz, mas a agitação está se espalhando por toda a Bolívia.

Constituição

Gamarra afirma que a saída do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, como quer a oposição, representaria uma violação da Constituição boliviana.

Ele lembrou que os Estados Unidos estão apoiando Sánchez de Lozada. Em declarações oficiais, os Estados Unidos lembraram que ele é o presidente constitucional e que a entrega do poder ao vice-presidente, Carlos Mesa, constituiria uma espécie de golpe de Estado.

Por enquanto, não há previsão de participação da ONU nos conflitos do país, nem enviando suprimentos e medicamentos, nem como mediadora entre o governo e a oposição.

Para Gamarra, a ONU deveria participar desse processo.

"É a única organização com capacidade de intervir de maneira que todos os grupos aceitem seu papel de mediadora. Mas a posição oficial de Kofi Annan (secretário-geral da ONU) é de que se deve respeitar o procedimento constitucional", afirmou.

O estopim do conflito foi um projeto do governo para vender gás natural para os Estados Unidos por intermédio do Chile. O gás é a principal riqueza natural da Bolívia.

Muitos bolivianos afirmam que a operação só vai trazer riquezas para os estrangeiros.

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