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Atualizado às: 18 de outubro, 2003 - 02h23 GMT (23h23 Brasília)
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Entenda a crise na Bolívia
Bolivianos protestam

As pressões políticas e os violentos protestos em várias regiões da Bolívia aumentaram tanto que acabaram levando à renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.

Os protestos aconteceram, principalmente, por causa das políticas econômicas de Louzada. A gota d'água para o recrudescimento dos protestos foi o um projeto de exportar gás natural para os Estados Unidos.

Abaixo, o analista de América Latina da BBC, Robert Plummer, explica os motivos da crise política na Bolívia.

Por que o gás natural é tão importante para o país?

A Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina, mas possui a segunda maior reserva de gás natural da região. Exportando o gás para os Estados Unidos e o México como o planejado poderia fazer a diferença entre crescimento e fracasso.

Economistas dizem que, desde que a Bolívia tem um déficit comercial entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões, a exportação do gás natural será o único jeito de tirar o país do vermelho.

O plano tem o aval do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acredita que a exportação irá acelerar o crescimento do país significativamente nos próximos cinco anos.

Então, por que os protestos?

Basicamente porque tais argumentos macroecômicos não sensibilizam a maioria indígena do país, que se encontra em situação de pobreza e sente que somente uma elite rica é beneficiada pela economia.

A Bolívia é uma democracia desde 1982 depois de décadas de instabilidade política e recorrentes golpes militares. Durante essa época, as desigualdades econômicas aumentaram e não houve uma redução na pobreza.

Como resultado, a hostilidade latino-americana natural em ceder o controle dos seus recursos naturais agora foi combinada à revolta da massa boliviana por sua exclusão econômica. Isso produz uma mistura social explosiva.

O nacionalismo também desempenha um papel. A idéia de "vender" o gás aos Estados Unidos vai contra os opositores de esquerda, que têm medo de ser explorados pelos "gringos" do norte.

O orgulho boliviano foi ainda mais ferido com a idéia de o gás ser exportado a partir de um porto do Chile, local que fazia parte do território boliviano e foi incorporado ao Chile depois da guerra 1879-83.

Quais são as exigências dos manifestantes?

Em relação às reservas de gás natural, os manifestantes estão pedindo que elas sejam estatizadas para se tornarem um bem exclusivo do povo boliviano.

Os nacionalistas não são convencidos pelos economistas que dizem que apenas 1% da produção de gás natural da Bolívia seria suficiente para abastecer o mercado interno.

Outras demandas incluem maiores salários, melhores aposentadorias, uma reforma agrária mais eficaz e a saída da Bolívia da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Entre os manifestantes mais entusiasmados estão os plantadores de coca na região central do país que se tornaram mais radicais após as políticas, apoiadas pelos Estados Unidos, de combater o plantio da coca como parte de uma "guerra às drogas".

O sistema político consegue suportar a crise?

Pode-se dizer que o presidente Sánchez de Lozada agiu lentamente aos protestos, deixando apenas para convocar um referendo em relação ao gás natural quando a violência explodiu na Bolívia e dezenas de pessoas morreram.

O presidente, educado nos Estados Unidos e que passou boa parte de sua juventude no exílio, foi eleito com apenas 22,5% dos votos em agosto de 2002 não tem um talento especial para negociar com a oposição, que agora se decidiu a derrubá-lo.

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