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Atualizado às: 26 de junho, 2004 - 04h25 GMT (01h25 Brasília)
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Indígenas formam governo próprio na Bolívia

Indígenas aymaras da Bolívia
Os aymaras nomearam seu “governador” e sua própria polícia
Índios da tribo aymara, do altiplano boliviano, constituíram em um povoado um governo local independente das autoridades de La Paz – contando com um sistema judicial e uma polícia separados.

Os índios da vila de Ayo Ayo (80 km ao sul de La Paz) decidiram se rebelar porque se opõem a que as autoridades oficiais investiguem o linchamento do prefeito local, ocorrido em 15 de junho.

Segundo habitantes de Ayo Ayo, o linchamento foi a aplicação da “justiça comunitária” e não cabe à procuradoria-geral de justiça boliviana, nem à polícia, procurar pelos responsáveis.

Os quase 3 mil moradores de Ayo Ayo agora ameaçam bloquear a estrada que atravessa o povoado e destruir um gasoduto e torres de transmissão de energia caso o governo insista em realizar a investigação.

Mesa não irá negociar

O governo do presidente Carlos Mesa já deixou claro que não irá participar de negociações nesse caso, considerado pelas autoridades um crime comum.

Na segunda-feira passada, o índio Cecilio Huanca foi empossado como uma espécie de “governador” de Ayo Ayo. Vinte e cinco camponeses, por sua vez, foram nomeados membros de sua polícia e de um suposto órgão de inteligência.

“Pela memória de Tupac Katari e Bartolina Sisa, eu os emposso”, disse Ramón Copa, um dos líderes do altiplano, durante a cerimônia em que prestaram juramento as “autoridades do novo Estado histórico”.

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O prefeito de Ayo Ayo foi torturado em sua casa antes de ser queimado.

Tupac Katari e Bartolina Sisa foram líderes de rebeliões indígenas contra espanhóis ocorridas no século 18.

Há alguns anos, líderes camponeses aymaras já haviam manifestado o desejo de criar uma república independente na região do altiplano boliviano.

Queimado

Os camponeses organizados no governo próprio em Ayo Ayo exigiram que sejam libertadas quatro pessoas acusadas pela morte do prefeito Benjamín Altamirano, que era acusado de corrupção.

Altamirano foi seqüestrado à luz do dia em uma rua do centro de La Paz por camponeses no dia 14 de junho. Seu cadáver foi encontrado queimado no dia seguinte na praça principal de Ayo Ayo.

Por sua vez, o “governador” Cecilio Huanca anunciou sua intenção de autorizar a polícia sob seu comando a que realize batidas nas casas dos parentes do prefeito morto em La Paz.

Segundo Huanca, os familiares acusaram injustamente habitantes de Ayo Ayo de serem responsáveis pelo linchamento.

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