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As índias a caminho | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Meu Brasil é virtual. Todos os dias passo os olhos em nossas folhas. Não sei se o país melhora ou piora à distância. Idem, nossas folhas. Aceito tudo que é publicado no espaço cibernético com a naturalidade de um personagem de Philip K. Dick. Nascemos para a ficção científica. De qualidade, apresso-me em esclarecer. Tenho meus sítios e colunistas prediletos, deles não faço listas e, por inexistência, não as divulgo. Detesto essa mania que pegou aqui no Reino Unido. Listagens. Róis. Os 10 mais isso, os 100 mais aquilo. Uma chatice, falta de assunto. Assim é que não me surpreendi ao ler, dia 13 de julho, na informativa coluna de Ricardo Boechat, publicada diariamente no Jornal do Brasil, uma nota desconcertante. Antes permitam-me esclarecer que um dos motivos que me seduz na coluna do justamente renomado Boechat são as legendas para as fotos de jovens socialites que a ilustram. Há sempre uma mocinha sorridente encimando dizeres deliciosos: Fulana de Tal exibe seus atributos de inteligência e beleza no almoço oferecido por Sicrana. Coleciono essas legendas como um garoto coleciona figurinhas. Mas à nota do dia 13. Intitulada "Destaques", informa que "até dezembro o Brasil conhecerá as 40 índias mais importantes de sua história. Os nomes sairão de uma pesquisa nacional que começou a ser feita ontem por ONGs indígenas. Um nome certo na lista é o de Joênia Wapixana, ganhadora do Prêmio Reebok Direitos Humanos/2004". Infelizmente, nenhuma foto de Joênia. Mas, curioso, fui ao computador, busquei e catei foto e detalhes às pampas da ganhadora do referido prêmio. Descobri, ainda, que há morosidade na demarcação de reservas e que as índias brasileiras são imunes ao câncer de mama, devido – suspeita-se – ao seu DNA, já que produzem menos hormônios. Mas o que eu queria mesmo, nada. Nem sombra de 39 outras índias brasileiras célebres. Ocorreu-me o nome de Diacuí, uma indiazinha, coitada, que andou fazendo sucesso nos tempos da revista Cruzeiro por ter se casado com um garimpeiro português. Iracema, do José de Alencar, não vale já que é ficção. O Turuna e o Raoni, até onde sei e me lembro, eram e são homens, embora sumidos. Resultado: ficarei aguardando com a respiração suspensa os nomes das 39 índias restantes e espero que Ricardo Boechat os publique. |
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