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Atualizado às: 21 de junho, 2004 - 16h03 GMT (13h03 Brasília)
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Coréia do Sul apela por refém, mas recusa acordo
Refém sul-coreano
Grupo deu prazo de 24 horas para governo sul-coreano
O ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Ban Ki-moon, fez um apelo pela libertação do coreano ameaçado de ser executado por militantes islâmicos no Iraque.

Ban disse que a Coréia do Sul é amiga do povo iraquiano e pediu aos seqüestradores que libertem o tradutor Kim Sun-il, de 33 anos.

Os seqüestradores ameaçaram decapitar Kim, a não ser que a Coréia do Sul retire suas tropas do Iraque.

Seul disse que não vai alterar seus planos de envio de tropas ao Iraque. A família de Kim pediu ao governo que repense sua política

Diplomacia

Também nesta segunda-feira, os corpos de quatro soldados americanos foram encontrados em Ramadi, no oeste de Bagdá. Não está claro quando eles morreram.

O Iraque retomou as exportações de petróleo de seus terminais no sul, que foram atacados por sabotadores na semana passada.

O clérigo radical xiita Moqtada Al-Sadr foi convidado a participar da conferência nacional do Iraque no mês que vem.

E na China, onde participava de uma reunião ministerial da Ásia, o ministro sul-coreano Ban Ki-moon disse que o seu país está fazendo tudo o que é possível diplomaticamente para libertar Kim.

Um grupo de diplomatas foi enviado para a Jordânia para ajudar nas negociações.

Embaixadores árabes em Seul receberam pedido de ajuda do governo sul-coreano.

Ban disse que a decisão da Coréia do Sul de enviar 3 mil soldados ao Iraque vai ajudar na reabilitação do país.

"Nós nos consideramos amigos do povo iraquiano e não há motivos para ninguém seqüestrar um cidadão (sul-coreano)", disse ele.

"Nós realmente pedimos e apelamos aos responsáveis neste caso que soltem imediatamente e incondicionalmente nosso cidadão seqüestrado."

Vídeo

De acordo com um vídeo exibido na emissora de televisão árabe Al-Jazeera, militantes islâmicos – o grupo se identificou como "Monoteísmo e Jihad" – ameaçaram executar um refém sul-coreano nesta segunda-feira e pediram que a Coréia do Sul retire suas forças do Iraque.

Kim Sun-il
Kim foi seqüestrado em 17 de junho

No vídeo, Kim Sun-il grita: "Soldados coreanos, por favor saiam daqui. Não quero morrer. Minha vida é importante."

Segundo a Al-Jazeera, o vídeo chegou a seu escritório na capital iraquiana, Bagdá, em um pacote sem identificação

A gravação, de dois minutos de duração, mostra o refém cercado de homens armados usando máscaras.

"Nós lhe pedimos que retire suas forças de nossa terra e não envie mais tropas, senão vamos enviar-lhe a cabeça deste coreano", disse um dos homens.

A fita dizia ainda que o prazo para os coreanos cumprirem o exigido é até o pôr-do-sol desta segunda-feira.

Uma faixa os identificava como integrantes do grupo Jamaat al-Tawhid e Jihad, que é liderado por um destacado membro da rede extremista Al-Qaeda, Abu Musab Al-Zarqawi.

Advertência

A Coréia do Sul já enviou 660 engenheiros do Exército e pessoal médico para a cidade de Nasiriya, no sul do Iraque, onde eles estão envolvidos em projetos de reabilitação e de cunho humanitário.

Mas na sexta-feira, o Ministério da Defesa sul-coreano anunciou o envio de mais 3 mil soldados em meados de agosto - passando a ter a terceira maior força militar no Iraque, atrás dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

No dia seguinte, o governo soltou um advertência contra viagens ao Iraque, dizendo que a decisão sobre as tropas poderia levar a ataques contra cidadãos sul-coreanos.

A oposição ao envio de tropas tem sido considerável na Coréia do Sul.

O correspondente da BBC em Seul, Charles Scanlon, disse que a oposição pode aumentar depois da captura de Kim.

Ativistas contra a guerra estão preparando novas demonstrações.

Negociações fracassadas

Segundo notícias, Kim Sun-il foi seqüestrado em 17 de junho, na cidade de Falluja, um dia antes de a Coréia do Sul ter anunciado que iria enviar novos soldados ao Iraque.

Autoridades da Coréia do Sul dizem que a empresa que emprega Kim, a Gana Trading Company – fornecedora para tropas americanas no Iraque –, já tinha tentando negociar com os seqüestradores a libertação dele sem ter informado o governo sobre o ocorrido.

A empresa tem 12 funcionários na capital do Iraque e eles foram transferidos para um hotel.

A empresa disse à agência de notícias Yonhap que os militantes estavam mantendo presos dez outros estrangeiros, incluindo um jornalista europeu e pessoas trabalhando para os Estados Unidos.

No mês passado, o mesmo grupo decapitou um refém americano, Nick Berg, e foi responsável por uma série de outros ataques, inclusive a morte do chefe do Conselho de Governo, Ezzedine Salim.

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