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Atlântida, continente sempre achado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pela enésima vez encontraram as ruínas da Atlântida. A Atlântida é o continente mais encontrado da história da humanidade. O fato de a Atlântida ser mítica é secundário. O importante é encontrar provas incontroversas de sua existência num dia há séculos atrás. A lenda – perdão, a história – é culpa exclusiva de Platão, o mesmo que, por volta do século 4 a. C., nos deu Sócrates. Segundo duas de suas narrativas (Crítias e Timeus), a Atlântida era uma ilha que ficava situada no Atlântico, a oeste do rochedo de Gibraltar, então conhecido como Pilares de Hércules, e que, durante um terremoto, afundou no mar. De lá para cá foi besteira atrás de besteira. Não tivessem surgido os discos voadores e Jennifer Lopez, e estaríamos, semana sim, semana não, descobrindo vestígios da ilha misteriosa, também conhecida pela alcunha de continente perdido. Ora, como se sabe, continente não se perde, continente não é feito cartão de crédito. Continente deixa sempre um rastro, uma pista. A América do Sul, estou certo, caso seja tragada amanhã por um tsunami, uma onda gigante, deixará ao menos um vestígio – um monte Roraima, umas alturas de Machu Picchu. Convenhamos, a Atlântida é uma paisagem imaginária que enfeita nossa imaginação. Até um pouco demais. Veja-se o número extraordinário de livros esotéricos, para usar de um eufemismo, a seu respeito. Confira em como a ficção barata, a não-ficção aloprada e os filmes B cuidaram do assunto. A Atlântida está voltando à moda, já que o mundo parece ter se acostumado com os eventos no Oriente Médio. Comprova o fato este professor alemão, Rainer Kuehne, da Universidade de Wuppertal, que acaba de chegar à conclusão – e garante que pode provar – que a Atlântida ficava nas proximidades de Cádiz, na Espanha. Não, Elvis não foi visto por lá. Não, ainda não surgiu uma dieta Atlântida-Cádiz. Sim, sou mais a nossa Atlântida, do Oscarito e tantas chanchadas, que ficava na rua Visconde do Rio Branco, 51, Rio, e que, como tantas outras coisas, nos esquecemos, não podemos provar que tenha existido. |
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