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EUA se distanciam da indicação de novo premiê iraquiano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário de Estado americano, Colin Powell, afirmou que a decisão sobre quem vai liderar o Iraque após a transferência de poder será tomada pela ONU. Horas antes, a Casa Branca havia saudado a decisão do Conselho de Governo iraquiano de indicar o ex-exilado xiita Iyad Allawi para a função de primeiro-ministro interino. Powell, no entanto, disse que cabe ao enviado especial da ONU ao Iraque, Lakhdar Brahimi, confirmar o nome de quem vai exercer o cargo. A resposta da ONU à indicação do Conselho de Governo foi fria: a organização disse apenas que "respeitava" a decisão. Quando a soberania iraquiana for restaurada, em 30 de junho, um governo interino vai liderar o país até a realização de eleições gerais em 2005. Inesperado Nas últimas semanas, o enviado da ONU estava tentando formar um equipe para o governo interino, incluindo um primeiro-ministro, um presidente, dois vice-presidentes e ministros. A indicação de Allawi, no entanto, foi revelada em um anúncio inesperado do Conselho de Governo iraquiano na sexta-feira. "Fico satisfeito que Allawi tenha esse tipo de apoio", disse Colin Powell. "Nós não temos posição sobre qualquer candidato no momento porque estamos esperando para ouvir o embaixador Brahimi e ele precisa de tempo para completar seu trabalho." O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan disse que Allawi é "um líder bom e capaz, que parece ter amplo apoio entre a população iraquiana". No entanto, Jon Leyne, correspondente da BBC na ONU, afirma que Allawi não era o candidato favorito do enviado das Nações Unidas para o cargo. "Não é como nós esperávamos que aconteceria", disse Fred Eckhard, porta-voz da ONU em Nova York. Mesmo assim, Brahimi disse que "respeita a decisão e está preparado para trabalhar com essa pessoa (Allawi) na seleção de outros cargos no governo interino". Sobrevivente A indicação de Iyad Allawi – um neurologista que estudou na Grã-Bretanha e deixou o Iraque depois de se voltar contra Saddam Hussein nos anos 70 – foi apoiada por unanimidade pelo Conselho de Governo iraquiano. A ONU, no entanto, afirma que o enviado especial Lakhdar Brahimi sequer estava presente quando o órgão iraquiano se reuniu para decidir a indicação do novo primeiro-ministro. Em 1978, quando vivia em Londres, Allawi sobreviveu a uma tentativa de assassinato que teria sido o resultado de uma ordem de Saddam Hussein. Anos depois, Allawi se tornou membro fundador do Acordo Nacional Iraquiano, um grupo de exilados apoiado por agências de espionagem britânicas e americanas que incluía ex-autoridades militares que eram contra o regime de Saddam. O enviado da ONU ao Iraque, Lakhdar Brahimi, disse que originalmente esperava formar um governo de tecnocratas – pessoas sem associação com os principais partidos políticos que dominam o Conselho de Governo iraquiano. O analista da BBC para o Oriente Médio, Roger Hardy, afirma, no entanto, que importantes líderes xiitas do Conselho de Governo resistiam ao que descreviam como uma tentativa de Brahimi de deixá-los para trás. Os líderes xiitas teriam juntado forças para se opor à indicação do respeitado cientista Hussein Shahristani como primeiro-ministro e insistiram que o principal cargo no novo governo deveria ser indicado por eles. |
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