|
Imigrantes sempre despertaram temor, diz acadêmico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A migração costuma ser encarada como um fenômeno recente. No entanto, pouca gente pode voltar três gerações e não encontrar nenhum imigrante entre seus ancestrais. Isto é válido especialmente, na América do Norte e do Sul, que são virtualmente compostas de imigrantes e seus descendentes. Algumas pessoas, que percebem que a migração é parte da história desde o surgimento do homem, argumentam que a migração de hoje é diferente daquela ocorrida em épocas como o início da Era Moderna, entre 1580 e 1796. A migração atual, acredita-se, é mais comum e as pessoas percorrem distâncias maiores, então as diferenças culturais são maiores, assim como os problemas. Europa Em 1620, na Idade de Ouro da Holanda, uma em cada 10 pessoas na Holanda tinha nascido em outro país. Em cidades holandesas como Amsterdã, essa proporção era de uma em cada quatro. As viagens tinham uma duração muito maior no passado. As pessoas caminhavam ou navegavam durante semanas para chegar a seu destino. As mudanças em comunicações - telefones, televisão e internet - reduziram as diferenças culturais entre as regiões como nunca visto. Registros históricos As pessoas deixaram seu país para fugir da fome, guerra ou perseguição. Elas foram, por vezes, capturadas e exiladas contra sua vontade. Muitas outras partiram simplesmente em busca de uma vida melhor. A migração de pobres, desesperados e de movimentos humanos em condições excepcionais deixaram mais indícios em arquivos históricos. Para os pobres, porque a pobreza "deles" era um problema "nosso", pensavam muitos em áreas que receberam migrantes. Como resultado disso, foram feitas tentativas de verificar que igreja ou comunidade poderia ficar com a responsabilidade de lidar com migrantes pobres. Arquivos são resultado dessas iniciativas. A migração de homens foi melhor registrada do que a de mulheres. A partida de homens era vista como uma grande perda (à nação, à comunidade, ao Exército, às autoridades fiscais, e a chegada de homens era vista como uma ameaça maior do que a de mulheres. Com isso, a migração de mulheres deixou menos vestígios em arquivos do que a de homens, embora elas não tenham migrado menos. Temor No passado, na Europa, as populações temiam que os recém-chegados iriam diluir sua cultura original, violar seus padrões morais, roubar suas mulheres e corromper sua língua. Os recém-chegados sempre foram isolados de uma forma ou de outra. Na época da formação da Europa Moderna, cada migrante, de dentro ou de fora das fronteiras nacionais, era passível de ser reconhecido como estrangeiro por sua forma de falar e vestir. Todos os estrangeiros eram oficialmente discriminados. Os estrangeiros tinham que pagar uma taxa antes de poder se estabelecer nem uma cidade, e tinham que pagar outra taxa antes de ter a permissão de entrar em associações profissionais e trabalhar em determinadas profissões. Além disso, as cidades criaram barreiras para pessoas de determinada religião. Algumas regiões discriminaram católicos, outras, protestantes e quase todas discriminavam judeus. A maioria dos migrantes despertava temor. Em meados do século 19, quando a influência francesa dominou a Europa, temia-se que os maneirismos franceses enfraqueceriam a postura dos jovens de outras nações. O temor de que "hordas" de irlandeses e o "perigo amarelo" foi seguido de ondas generalizadas de fobia de prussianos quando começou a unificação da Alemanha. Foram feitos apelos para restringir mais a imigração de alemães a países como a Dinamarca, França e Holanda, e expulsar os que estavam nestas nações. Mas filhos e netos de imigrantes já não pareciam ser vistos como problema. Clubes Imigrantes levaram técnicas de um país para outro, encorajaram comércio através de seus contatos e abriram novos mercados. Eles introduziram novo cardápio, que em uma geração se tornou parte da dieta básica da sociedade que os recebia. Quando as mulheres paquistanesas na Noruega de hoje dizem que ajusaram seu menu à gastronomia norueguesa, elas querem dizer que servem a seus filhos bolinhos de peixe tradicionais da Noruega, assim como macarrão e pizza. Com os imigrantes alemães do século 19, a árvore de natal, considerada essencialmente alemã, pagã e católica ao mesmo tempo - tornou-se popular no mundo todo e entrou na casa de pessoas que não tinham qualquer antepassado alemão. Engenheiros ingleses que imigraram no final do século 19 introduziram o futebol a outras partes da Europa e dentro de uma geração o esporte deixou de ser tipicamente britânico. Clubes de ginástica, organizações semi-políticas criadas por alemães que fugiram da fracassada revolução de 1848 em seu país de origem, também deixaram de ser exclusivamente alemães antes do final daquele século. Todos os imigrantes criaram seus clubes e sociedades onde podiam ficar entre seus conterrâneos, falar sua língua nativa e manter vivos os seus costumes. Com algumas exceções, esses clubes e sociedades não duraram mais do que a geração dos filhos dos imigrantes. O medo de imigrantes é um reflexo do medo de mudanças e especialmente de mudanças na cultura. Cultura não é, no entanto, um conceito estático. As culturas mudam contínuamente com o tempo. As culturas, como as conhecemos hoje, são resultado de séculos de migração. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||