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Brasileiros se endividam para entrar ilegalmente nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Muitos brasileiros que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos através da fronteira com o México arcam com dívidas pesadas, de milhares de dólares. Segundo a socióloga Teresa Costa, funcionária do consulado brasileiro em Nova York, o custo total de uma viagem de uma pessoa que atravessa ilegalmente a fronteira do México pode chegar a US$ 9 mil. "Muitas pessoas vendem propriedades no Brasil na esperança de conseguir fazer a travessia e recuperarem esse dinheiro o mais rapidamente," disse. Estimativas indicam que mais de 90% das pessoas que tentam entram ilegalmente nos Estados Unidos pelo México sejam mexicanos, e entre 1% e 2%, brasileiros. "Coiotes" Os brasileiros tentam entrar nos Estados Unidos pelo México porque o país não exige vistos de entrada. Uma vez em território mexicano, os brasileiros são guiados por grupos de "coiotes" - gangues de mexicanos que cruzam a fronteira em caminhões, a nado ou a pé. Grande parte dos brasileiros contrai dívidas junto aos "coiotes" para fazer a travessia. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, em 2003 mais de 900 mil pessoas foram detidas ao tentar entrar ilegalmente no país através da fronteira mexicana. Mudança de perfil Em seu trabalho de atendimento aos brasileiros detidos nos Estados Unidos, Teresa Costa tem observado uma mudança significativa em seu perfil sócio-econômico. "(Hoje eles) são trabalhadores rurais, pessoas que exercem profissões tipo serviços domésticos, diferente da classe média que vinha anteriormente, que era (composta) por estudantes, professores, bancários," disse. Igualmente humilde é a maioria dos mexicanos que tentam ganhar a vida nos Estados Unidos. O presidente George W. Bush, em campanha para reeleição, em janeiro apresentou ao Congresso americano um projeto de lei para conceder vistos temporários a imigrantes ilegais já estabelecidos no país. "Este plano certamente representa um avanço na política de imigração do país, mas dificilmente esse debate avançará neste ano eleitoral," disse o cientista político Rodolfo Dela Garza, especialista em questões de imigração e professor da Universidade de Columbia. "Os republicanos estão divididos a esse respeito e certamente a ala mais conservadora deles se opõe ao projeto de Bush," acrescentou. Já o possível candidado democrata, John Kerry, defende a ampliação dos direitos dos imigrantes, mas tentará evitar temas difíceis como esse num ambiente de alto desemprego nos Estados Unidos. "Acredito que os democratas farão o possível para ignorar a questão," concluiu Dela Garza. |
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