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Atualizado às: 01 de maio, 2004 - 23h46 GMT (20h46 Brasília)
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'Novos europeus' da Hungria revelam expectativas

Húngaros comemoram entrada na UE
Húngaros comemoram entrada na UE com café da manhã no centro de Budapeste
Fuga de cérebros, imigração e desemprego deixaram de preocupar os húngaros pelo menos por um dia: milhares de “novos europeus” comemoraram em todo o país com otimismo e esperança.

“A entrada na União Européia é como um casamento. Hoje o dia é da festa, mas depois vamos ter que pensar na continuidade.”, afirmou Ildikó Tóth, que passou a manhã com a família na Ponte da Liberdade, em Budapeste, que teve o asfalto coberto por grama e, por um dia, virou um enorme parque.

“Uma coisa é você amar uma pessoa e viver junto. Outra, é se casar. O desafio começa aí.”

Para Tóth, a “felicidade” desse casamento vai depender da mudança da mentalidade de muitos húngaros, que segundo ela, tendem a enxergar qualquer situação através de um prisma negativo.

“É isso que falta para a Hungria ser mais européia”, explica.

‘Mau negócio’

O motorista de táxi Misi Penkert, de 38 anos, provavelmente seria classificado pela jovem como uma dessas pessoas.

“Trabalho 15 horas por dia, gostaria de me casar, mas não consigo ganhar dinheiro suficiente. A maioria dos 70 a 80 passageiros que entram no meu carro dizem que o euro é um mau negócio porque o custo de vida vai subir”, diz Penkert.

O pessimismo de Penkert – que, mesmo assim, comemorou a adesão à EU às margens do Danúbio – não encontra respaldo entre a grande maioria dos jovens húngaros.

“Já me sinto europeu há muito tempo. A única mudança que sinto hoje é esse gramado na ponte”, brincou o estudante Gergö Györei, de 19 anos, para em seguida acrescentar, com seriedade:

“A coisa mais importante é que vou estudar economia em uma universidade aqui de Budapeste e vou poder trabalhar na Inglaterra ou na França ou em qualquer
outro país.”

Fuga de cérebros

Os planos de Györei são apontados por analistas como um dos principais problemas que a Hungria – e os outros novos países membros da UE – devem enfrentar: a fuga de cérebros.

Muitos temem que a elite intelectual desses países seja atraída pelos salários mais altos dos países mais a oeste e que, conseqüentemente, só a mão-de-obra
menos qualificada permaneça.

Para o jovem estudante húngaro, entretanto, esse perigo não existe.

“A minha geração ama a Hungria. Nós vamos voltar para cá mais cedo ou mais tarde”, diz Györei.

Um amigo do estudante, Tamás Juhász, conclui:

“Por mais que saia gente, a economia vai crescer. Sabemos que a Europa é o único caminho para nós. Foram 14 anos de espera, desde a queda do comunismo”, afirma o jovem de apenas 19 anos.

Se o temor da fuga de cérebros for mesmo infundado, não se pode dizer o mesmo quando o assunto é imigração. Desde sábado, a Hungria passou a ser uma das fronteiras orientais da União Européia.

Imigrantes ilegais

Isso a transforma em alvo certo para imigrantes econômicos de vizinhos da Sérvia e de outros países da antiga Iugoslávia, da Romênia e da Bulgária.

Apesar de a União Européia já ter liberado verbas para incrementar a vigilância das fronteiras, a Hungria tem uma enorme área rural que separa a Sérvia da Hungria, a quilômetros de distância dos postos de fronteira.

Se por um lado, de acordo com o governo húngaro, os números de imigrantes ilegais capturados está caindo – foram 500 em 2002, 290 em 2003 e até as últimas informações, em 2004, apenas 11 –, por outro, o possível progresso
econômico da Hungria nos próximos meses poderá dar novo impulso a essa tendência.

“As pessoas normalmente acham que nós é que vamos querer imigrar, mas o nosso país também é atraente para outras pessoas”, lembra a professora Ágnes Petö.

Desemprego

Lado a lado, com os imigrantes ilegais, vem outra das preocupações dos húngaros: o desemprego.

Hoje, o país se orgulha de ter uma taxa de desemprego de apenas 5,5%. Bem abaixo da média da UE, de 8%, e certamente, bem melhor do que países ricos como a Alemanha e a Grã-Bretanha.

No entanto, nos últimos tempos, a Hungria tem perdido empresas para países com mão-de-obra mais barata, como a China, a Romênia e a Bulgária.

O governo húngaro, no entanto, argumenta que o saldo entre a criação e a eliminação de empregos continua positivo, ou seja, o país ainda está criando mais
postos de trabalho do que os que desaparecem.

A entrada do euro, que não deve acontecer antes de 2008, também pode criar outros problemas, como um aumento na dificuldade de exportar.

A Hungria exporta, principalmente, equipamentos de telecomunicação, máquinas e computadores. Para muitos “novos europeus”, no entanto, essa preocupação está distante.

“Por enquanto, não há nada de novo. Talvez alguma coisa mude com o euro”, conclui a aposentada Jana Sípos, de 73 anos.

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