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Projetos de base em Chipre desafiam a divisão da ilha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Haji Mike é um poeta e produtor musical que vive no sul da capital de Chipre, Nicósia, onde vivem os grego-cipriotas da ilha. Zaki Ali, também poeta e músico, vive no mesmo país, só que no norte, junto com outros cipriotas de origem turca. Pela internet, Mike leu alguns poemas de Zaki que "tinham um certo jazz em suas linhas". Pela rede, os dois entraram em contato e começaram a compor. Daí nasceu a Olive Tree Music, a primeira gravadora intercomunitária de Chipre e um dos muitos projetos de integração comunitária que vêm acontecendo no país. Enquanto as lideranças discutem planos de reunificação e trocam acusações nas redes de TV locais, uma reaproximação mais silenciosa está acontecendo na base da sociedade. Poetas pela paz "A música tem um poder de curar, é uma linguagem por si só", afirma Mike. Os encontros entre os dois lados ficaram mais fáceis a partir de abril do ano passado, quando a linha verde, a fronteira que divide o país, foi aberta. Mas o primeiro CD da Olive Tree, A pair of Olive Leaves, por exemplo, foi composto em conjunto pela internet e gravado simultaneamente em estúdios do sul e do norte de Nicósia, além de São Francisco, onde mora um produtor que se interessou pelo projeto. O álbum traz músicas que falam sobre a situação de Chipre e sobre um futuro de união. "Essa era uma das maiores dificuldades no início, não podíamos nos encontrar fisicamente aqui em Chipre, e tudo era discutido pela rede", conta. "Mas nossa maior conquista é mostrar ao mundo que não somos todos inimigos apontando armas uns para os outros." Experiência Em Pyla, uma pequena vila localizada na zona de distensão controlada pela ONU, está um exemplo de como pode ser um futuro de gregos e turco-cipriotas vivendo lado a lado. Por sua localização, mesmo após a invasão turca, a cidade continuou a abrigar as duas comunidades. Lá, cipriotas das duas origens levam vidas bastante separadas, com escolas, cafés e religiões diferentes. Mas um coral criado em 1997 tenta fazer a reaproximação. Todos os domingos, gregos e turco-cipriotas se encontram para ensaiar músicas típicas das duas comunidades. Mulheres Outra organização que vem fazendo trabalhos de integração é a ONG Mãos através da Divisão, composta por mulheres dos dois lados da linha verde e também por cipriotas que vivem fora do país. "As mulheres têm uma experiência particular em situações de conflito e pós-conflito, o que significa que podemos fazer uma contribuição particular à construção da paz", diz o grupo em sua página na internet. A professora de resolução de conflitos da Universidade de Chipre, Maria Hadjiplavou, é uma das pioneiras nos trabalhos de integração. Além de ser uma das coordenadoras da Mãos através da Divisão, ela também é presidente do Centro para a Paz no Chipre. "Quando comecei a fazer este tipo de trabalho, havia muito preconceito, e eu era muito criticada", afirma. "Mas agora as pessoas estão mais acostumadas, exatamente por causa da grande quantidade de trabalhos intercomunitários que estão sendo feitos aqui em Chipre." |
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