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Atualizado às: 25 de maio, 2004 - 08h31 GMT (05h31 Brasília)
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Fritata nova-iorquina
Lucas Mendes
Nas suas crises financeiras, Nova York teve seus momentos de cidade barata. Em meados da década de 70, US$ 100 mil dólares compravam um apartamento que hoje vale US$ 2 milhões. US$ 500 dólares por mês alugavam 150 metros quadrados com vista e luxo.

Agora, depois de três anos de recessão, duas torres no chão, inflação abaixo de 2% ao ano e desemprego acima da média do pais, estamos na era do apartamento medíocre por um US$ 1 milhão de dólares: sala, dois quartos, noventa metros quadrados e, garantido, vista para o prédio da frente ou dos fundos. Não é só imóvel.

Quando meu dentista me mandou a outro dentista para fazer um tratamento de canal, me alertou que poderia sair caro: US$ 1.000, talvez até US$ 1.500, dependendo dos agravantes.

Era sexta-feira, véspera de feriado, não tinha outra alternativa. Na cadeira do outro dentista, contemplei a vista do Central Park enquando ele fuxicava o molar. 35 minustos, sem nenhuma complicação: US$ 1.700.

Quis protestar na associação dos dentistas e organizacões de defesa do consumidor, mas dentistas, como médicos e advogados, estão acima destas instituições mundanas. Mandei uma cartinha para ele.

Os preços sobem e os nova-iorquinos pagam. US$ 250 por uma calça jeans, US$ 12 por um martini, US$ 25 por um hambúrguer no balcão do Four Seasons. Quem ganha US$ 100 mil por ano em Dallas vive muito bem, mas se for transferido para Nova York e quiser manter o mesmo padrão, vai precisar de US$ 266 mil por ano.

Barry Schwartz, professor de psicologia em Swarthmore, diz que o impacto psicológico de perder alguma coisa é duas vezes mais forte do que o de ganhar a mesma coisa. Quem se acostuma com um padrão não abre mão.

Nem tudo que é caro tem sucesso garantido em Nova York. Semana passada, o chefe do restaurante Norma, no hotel Parker Meridien, lançou a Fritata de Zilhão de Dólares. Na realidade, é uma omelete de seis ovos com lagosta e 280 gramas de caviar sevruga. Custa US$ 1.000, mais imposto e gorgeta.

O chefe foi manchete nos jornais, cozinhou a fritata nos maiores shows de rádio e televisão. Ate hoje, no Norma, ninguem mordeu.

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