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Atualizado às: 25 de maio, 2004 - 03h08 GMT (00h08 Brasília)
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Bush reafirma ligação entre Iraque e terrorismo

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante o discurso
Bush procurou ligar insurgentes iraquianos a grupos 'terroristas'
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez nesta segunda-feira um discurso em que se concentrou em apresentar os planos dos Estados Unidos para o futuro do Iraque e em reforçar as ligações que o seu governo vê entre as ações no país e a chamada "guerra ao terrorismo".

Em pouco mais de meia hora de discurso na Escola de Guerra do Exército, no Estado da Pensilvânia, o presidente Bush usou as palavras terrorismo ou terrorista 19 vezes.

Segundo analistas, o presidente está reagindo aos críticos, que dizem que a guerra no Iraque diminuiu a segurança dos Estados Unidos, e tentando ganhar o apoio dos americanos, simpáticos à guerra ao terrorismo, mas cada vez mais contrários às ações em território iraquiano.

"A volta da tirania ao Iraque seria uma vitória sem precedentes para os terroristas e uma causa para os assassinos comemorarem. Isso também aumentaria a audácia dos terroristas, levando-os a mais ataques com bombas, mais decapitações e mais assassinatos de inocentes ao redor do mundo", disse o presidente.

"O desenvolvimento de um Iraque livre e soberano vai negar aos terroristas uma base de operações, desacreditar a limitada ideologia deles e reforçar a atmosfera positiva para os reformistas na região. Este vai ser um ataque decisivo contra o terrorismo no coração de seu poder e uma vitória para a segurança dos Estados Unidos e do mundo civilizado."

Passos

O presidente Bush disse que há cinco passos principais na estratégia americana para o Iraque. Bush buscou se afastar dos problemas enfrentados no passado recente, anunciando inclusive a intenção de demolir a prisão de Abu Ghraib, de onde saíram as imagens, de abusos de prisioneiros iraquianos, que chocaram os Estados Unidos e o mundo.

 Vamos devolver a autoridade a um governo iraquiano soberano, ajudar a estabelecer a segurança, prosseguir na reconstrução da infra-estrutura do Iraque, encorajar maior participação internacional e avançar em direção a eleições nacionais que vão dar o poder a novos líderes escolhidos pelo povo iraquiano.
George W. Bush

"Vamos devolver a autoridade a um governo iraquiano soberano, ajudar a estabelecer a segurança, prosseguir na reconstrução da infra-estrutura do Iraque, incentivar maior participação internacional e avançar em direção a eleições nacionais que vão dar o poder a novos líderes escolhidos pelo povo iraquiano", disse Bush.

A exposição do plano americano, no entanto, já havia começado horas antes do discurso de Bush, quando diplomatas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha apresentaram nas Nações Unidas uma nova proposta de resolução sobre o país. O texto apresentou - com menos detalhes - as estratégias explicadas depois no discurso.

A proposta vai continuar sendo discutida no Conselho de Segurança nos próximos dias, mas alguns diplomatas já deram à imprensa declarações reclamando da falta de conteúdo e de compromissos específicos na proposta.

Soberania

O primeiro passo americano - apresentado na ONU e reforçado por Bush - é a transferência do poder sobre o Iraque aos iraquianos na data prevista de 30 de junho.

"No dia 30 de junho, a Autoridade Provisória da Coalizão vai deixar de existir e não vai ser substituída. A ocupação vai terminar, e os iraquianos vão passar a ter controle pelo que lhes diz respeito", disse o presidente.

Bush prosseguiu dizendo que o futuro embaixador americano em Bagdá, John Negroponte, vai conduzir as relações com o Iraque como "com qualquer outra nação soberana", mas também reafirmou a necessidade - já apresentada na proposta de resolução à ONU - de uma força multinacional, sob comando americano, que continue no país por mais algum tempo.

Na ONU, a proposta gerou dúvidas por parte de diplomatas a respeito de qual seriam os limites da autoridade do governo iraquiano em relação a esta força multinacional.

 Nossos comandantes haviam estimado que menos de 115 mil soldados seriam suficientes a esta altura do conflito. Devido ao recente aumento na violência, vamos manter o número de soldados no país no atual nível de 138 mil pelo tempo que for necessário.
George W. Bush

"Além do presidente, de dois vice-presidentes e de um primeiro-ministro, 26 ministros raquianos vão supervisionar departamentos governamentais, de saúde e justiça até a defesa. Este novo governo vai ser aconselhado por uma assembléia nacional, que vai ser eleita em julho por iraquianos refletindo a diversidade do país", disse o presidente.

"Este governo interino vai exercer a soberania total até que eleições gerais possam ser realizadas", garantiu Bush.

Segurança

Mas o presidente disse que as tropas americanas vão continuar no país pelo tempo que for necessário - e no número que for necessário - até forças iraquianas terem condições de fornecer segurança ao país.

"Nossos comandantes haviam estimado que menos de 115 mil soldados seriam suficientes a esta altura do conflito. Devido ao recente aumento na violência, vamos manter o número de soldados no país no atual nível de 138 mil pelo tempo que for necessário."

O presidente disse, no entanto, que os Estados Unidos estão ajudando a treinar 260 mil iraquianos que devem compor as forças armadas, a polícia e outros órgãos de segurança do país.

Soldados iraquianos
Bush ressaltou esforço americano para dar treinamento a soldados iraquianos

"O nosso objetivo é formar um exército de 35 mil soldados, divididos em 27 batalhões, prontos para defender o país deles."

Infra-estrutura

O presidente também destacou as ações da comunidade internacional e dos Estados Unidos no trabalho de reconstrução da infra-estrutura iraquiana, etapa que ele descreveu com essencial para o triunfo da democracia no país.

"Pedimos a outras nações que também contribuíssem para a reconstrução do Iraque e 37 países, o FMI e o Banco Mundial já se comprometeram com US$ 13,5 bilhões em ajuda. Os Estados Unidos dedicaram mais de US$ 20 bilhões para projetos de reconstrução e desenvolvimento no Iraque", disse o presidente.

Mas além da ajuda financeira, Bush também cobrou mais participação militar de outros países.

"Apesar de desavenças no passado, a maioria dos países indicou forte apoio ao sucesso de um Iraque livre, e estou confiante de que eles vão dividir a responsabilidade para assegurar este sucesso", disse Bush numa referência à proposta de resolução prevendo a formação de uma força multinacional.

Eleições

Bush disse que as eleições no Iraque são o quinto e "mais importante" passo na reconstrução da democracia no país.

De acordo com o plano, no fim deste ano um conselho representando os iraquianos deve eleger uma Assembléia Nacional, que vai redigir uma constituição para o país.

"Esta assembléia vai servir de corpo legislativo no Iraque e vai escolher um governo transitório com poderes executivos. A Assembléia Nacional provisória também vão esboçar uma nova constituição que deve ser apresentada aos iraquianos em um referendo previsto para o outono (do hemisfério norte) de 2005", disse Bush.

"Sob esta nova constituição, o Iraque vai eleger um governo definitivo até o fim do ano que vem."


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