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Transição de poder no Iraque será mantida, dizem EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Estados Unidos afirmaram que o assassinato nesta segunda-feira do chefe do Conselho de Governo iraquiano, Ezzedine Salim, não vai atrasar a transferência da soberania ao Iraque, marcada para 30 de junho. Salim foi morto na explosão de um carro-bomba em Bagdá, junto com outros oito iraquianos. Falando em Berlim, a Conselheira para Segurança Nacional americana, Condoleeza Rice, disse que o governo dos Estados Unidos já sabia que haveria tentativas de atrapalhar o processo de transição no Iraque. "É necessário manter os planos de transição", disse ela. "Está na hora de acabar com a ocupação." Rice disse também que a solução para a violência será política e está nas mãos dos iraquianos. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também disse que "os esforços para levar estabilidade ao Iraque continuarão" e que ele espera "que esse evento trágico não atrapalhe o processo". Grã-Bretanha O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, insistiu nesta segunda-feira que as tropas britânicas continuarão no Iraque "até que o trabalho seja dado como feito". Segundo Blair, essa é a única resposta possível para ataques terroristas como o que matou Salim. "Nós não faremos nenhuma saída rápida", disse o primeiro-ministro depois de encontro com o governo da Turquia. Blair respondeu a declarações divulgadas nesta segunda-feira de que ele e o presidente americano, George W. Bush, planejavam acelerar a transferência de funções de segurança no Iraque para os próprios iraquianos. "Toda vez que há um ataque terrorista no Iraque, ou que alguém é assassinado, isso, para mim, é uma razão para continuar, não uma razão para sair do país", disse Blair. Ataque A bomba foi detonada por volta das 2h30 da manhã (horário de Brasília). A explosão aconteceu em um posto de controle fora da Zona Verde de Bagdá, área isolada onde a coalizão e o Conselho mantêm seus escritórios. Salim se encontrava na parte de fora do prédio. Ainda não está claro se ele era o alvo do ataque, que, segundo o comandante americano em Bagdá, general Mark Kimmitt, foi suicida. O grupo iraquiano Brigadas de Al-Rashid, desconhecido pelas autoridades da coalizão, teria assumido o atentado em uma nota onde diz ter assassinado um "traidor e mercenário". O Conselho de Governo do Iraque também condenou o assassinato e já indicou o líder sunita Ghazi Ajil al-Yawer, da cidade de Mosul, para o lugar de Ezzedine Salim como novo presidente. Ele prometeu continuar a marcha pela liberdade e pela democracia, apesar do ataque. "Isso é um ato terrorista que não vai impedir o Conselho de Governo de continuar construindo um Iraque unido", afirmou. Yawer presidirá o Conselho até o dia 30 de junho, quando a soberania será devolvida ao país. O administrador americano no Iraque, Paul Bremer, condenou o atentado e prometeu derrotar os culpados. "Os terroristas que estão tentando destruir o Iraque deram um golpe duro com esse ato desprezível", declarou Bremer. Ele disse que o sonho de Salim de "um Iraque democrático, livre e próspero vai se tornar realidade". Salim, um muçulmano xiita, era membro do movimento islâmico Daawa, baseado na cidade de Basra, no sul do país, e atual presidente do Conselho de Governo do Iraque. O cargo é rotativo. Ele é o segundo integrante do Conselho assassinado desde julho, quando a entidade foi criada. Aquila al-Hamisi, uma das três mulheres da organização, foi assassinada em setembro. |
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