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Análise: EUA podem declarar vitória e deixar o Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os eventos no Iraque têm fugido do controle da coalizão liderada pelos Estados Unidos tão rapidamente que a palavra retirada agora começa a ser ouvida com certa freqüência. Charles Heyman, analista chefe de defesa do Jane's Consultancy Group, escreveu no jornal inglês Times na segunda-feira que "parece que vai haver uma saída política bastante complicada para todo esse assunto, possivelmente encabeçada pela ONU.” "Eu espero um acordo no qual ambos os lados vão se proclamar vitoriosos de alguma maneira, seguido por uma rápida retirada das tropas da coalizão, em algum momento dos próximos seis meses.” É verdade que em três areas, a coalizão não está tendo um bom desempenho. 1 - Militarmente, a resistência foi expandida para muito além dos “membros do antigo regime” e “guerrilheiros estrangeiros”, freqüentemente culpados pela coalizão. A capacidade da coalizão de impor suas próprias soluções se deteriorou, e a situação bizarra em Falluja é um exemplo disso. A imagem do antigo general de Saddam Jasim Saleh chegando de Mercedes, dirigido por um motorista e vestindo seu antigo uniforme, para negociar uma função para si próprio não poderia ter contradito mais a meta inicial da coalizão, de expulsar os guerrilheiros de Falluja. E o que aconteceu com Moqtada Sadr, o jovem e feroz líder muçulmano, que, nos disseram, seria levado à Justiça por acusações de assassinato? 2 - A guerra da propaganda não poderia ter piorado mais do que com a publicação das fotos dos prisioneiros sendo maltratados. Qualquer que tenha sido a origem dessas fotos, o estrago já foi feito nas ruas. As fotos realçam o problema da coalizão que, tendo fracassado em convencer que foi à guerra para buscar armas de destruição em massa, está fracassando agora em justificar seu segundo motivo, o argumento moral de que poderia levar a ordem a uma terra sem lei. 3 - O terceiro problema é político. Faltam menos de dois meses para a transferência de “soberania” para um governo interino. Mesmo assim, esse governo não vai ter poder. Ele não vai poder fazer novas leis ou modificar leis que tenham sido decretadas pela Autoridade Provisória da Coalizão. Ele também vai ter poderes bastante limitados sobre as tropas de ocupação, que vão ser rebatizadas de força multinacional. Ele vai poder, então, comandar a lealdade dos iraquianos a ponto de controlar a resistência? Cabo-de-guerra Contradizendo as previsões pessimistas, temos que reconhecer que a vontade do governo interino do Iraque (que vai ser escolhido em breve), dos EUA e da Grã-Bretanha de fazer a transferência de poder não deve ser menosprezado. E existe sempre o risco de que o instinto de jornalistas e comentaristas prevejam uma coisa e os fatos produzam outra. Christopher Hitchens, um jornalista que vem sendo um dos grandes advogados da guerra, comenta sobre seus colegas na revista Slate: "É bastante óbvio que aqueles que cobrem o Iraque agora apostam no fracassso.” Ele ainda tem esperanças de ver um desfecho no Iraque que coloque o país em um caminho democrático. “Existem muitos iraquianos, o que é provado pelos folhetos distribuídos em Najaf, pelos blogs de Bagdá e pelos centenas de milhares de iraquianos que estão exercitando seu direito de voltar ao país, que não desejam ser governados por religiosos dementes. O pulso e o coração da sociedade mal tiveram a chance de serem ouvidos.” O problema é que, um ano depois da invasão, ainda não existem planos para uma eleição antes do final do ano, sendo assim, a “chance de serem ouvidos”, para todos esses moderados, ainda não está disponível. A idéia toda foi baseada na crença de que, assim como o Japão e a Alemanha após a guerra, a resistência iria perder a força, o que daria tempo para a tarefa de construir instituições. O tempo, como temos visto, não está ao lado da coalizão, e a corrida entre o caos e a estabilidade continua. |
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