|
A Semana: A outra face do conflito no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Até o presidente George W. Bush se disse "enojado" com as cenas exibidas pela rede de TV americana CBS na noite de quarta-feira. Prisioneiros iraquianos empilhados, nus, em posições humilhantes, enquanto militares dos Estados Unidos se divertem não compõem a imagem que Washington deseja vender ao mundo, principalmente ao mundo islâmico. As cenas, que também incluíam um prisioneiro com fios elétricos atados ao corpo nu, devem dificultar ainda mais o desafio da coalizão que ocupa o Iraque de convencer a população local a apoiá-la. Segundo o Pentágono, os envolvidos foram presos e responderão à Justiça militar americana. Bush disse também que as ações do grupo não representam o espírito da nação americana. Mas o estrago já foi feito, e as esperadas condenações vieram de várias partes do mundo. EUA x sunitas e xiitas A divulgação das fotos ocorreu ao final de uma semana já marcada por violentos confrontos nas cidades de Falluja, reduto sunita próximo de Bagdá, e Najaf, cidade sagrada xiita, localizada no sul do país. As forças americanas mataram mais de 60 insurgentes nos confrontos com os seguidores do religioso xiita Moqtada Al-Sadr e usaram até aviões bombardeiros contra posições dos rebeldes sunitas de Falluja. O bombardeio de Falluja continuou por dois dias, com algumas pausas, até que um acordo estabeleceu a saída dos americanos da cidade e sua substituição por militares iraquianos, agindo do lado da coalizão. Enquanto o céu de Falluja era iluminado pelos ataques, a estratégia americana do uso sistemático da força foi criticada mais uma vez por políticos iraquianos, membros do Conselho de Governo do Iraque. Na segunda-feira, essa linha de ação foi atacada em uma crítica de peso enviada, por escrito, ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Segundo os 52 signatários da carta, a maioria ex-embaixadores britânicos com longa experiência no Oriente Médio, a política americana para o Iraque está "fadada ao fracasso" por não levar em conta a cultura e o histórico da região. Os diplomatas disseram que decidiram levar a público seu descontentamento com o apoio de Blair a Bush depois que os dois apareceram em Washington apoiando os planos unilaterais de Ariel Sharon para o confronto com os palestinos. Os ex-embaixadores, muitos deles com o título de Sir, que os qualifica como cavaleiros da rainha, acreditam que o apoio a Sharon viola o princípio de imparcialidade que deveria marcar a política britânica na questão palestina. A carta apareceu com destaque na imprensa britânica e foi amplamente debatida no rádio e na TV. Blair ainda não respondeu. Nova Europa A entrada oficial de dez novos países-membros na União Européia ocorre apenas neste sábado, mas a semana foi marcada por expectativas, debates, previsões e uma grande decepção quanto ao aumento do bloco. A decepção ficou por conta do plebiscito em Chipre, realizado no sábado dia 24, em que a população de origem grega, que vive na metade sul da ilha, rejeitou a proposta de reunificação com o norte. A proposta de reunificação, formulada pela ONU, recebeu a bênção dos eleitores do norte, cuja população é de origem turca. Mas os dois lados precisavam aprová-la para que ela se tornasse realidade.
Com isso, apenas a metade sul da ilha de Chipre entra na União Européia neste sábado, dia 1º, ao lado de Letônia, Estônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Hungria e Malta. Para os cipriotas, o sonho de ver a ilha unida ficou mais longe, mas ainda não é impossível. A ONU tentará convencer os dois lados a participar de uma nova rodada de negociações que vislumbre um novo plebiscito num futuro póximo. Mas, para os outros nove novos membros da UE, um mundo novo começa neste sábado. Na "velha Europa", muitos temem a entrada indiscriminada de imigrantes do Leste Europeu que buscariam emprego e benefícios sociais, além das conseqüências das diferenças econômicas entre novos e velhos membros. Os 15 governos anfitriões, no entanto, dizem que o bloco terá incontáveis benefícios, que incluem mais prosperidade econômica e segurança. O futuro dirá se o temor dos mais céticos é válido ou não. Alerta na Tailândia Mais de cem militantes islâmicos morreram nesta semana em confrontos com o Exército tailandês no sul do país. Cerca de 30 deles estavam numa mesquita, onde haviam se refugiado durante o enfrentamento com os soldados. As Forças Armadas do país reforçaram a segurança local para evitar confrontos ainda mais graves. As autoridades da Tailândia, país de maioria budista, temem que o latente desejo separatista da comunidade islâmica nas províncias de Pattani, Yala e Songkhla leve a um conflito generalizado na área. Como em outros países da Ásia, a preocupação maior é com a entrada de militantes estrangeiros que poderiam fomentar novos confrontos. Barbárie no Peru A semana que termina foi mesmo violenta, e a América do Sul, particularmente, costuma ser lembrada pela mídia internacional pelos piores motivos. Dessa vez não foi diferente. O linchamento de Cirilo Robles, prefeito da cidade de Ilave, no Peru, chocou principalmente pelo fato de se tratar de uma autoridade, no caso a maior autoridade do município. Acusado de corrupção e nepotismo, Robles foi retirado de seu gabinete por manifestantes e, ao lado de outros membros do governo municipal, agredido em praça pública. Morreu em decorrência dos ferimentos, num episódio que lembra como a violência sul-americana tem o potencial de se manifestar das mais variadas - e assustadoras - formas. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||