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Atualizado às: 29 de abril, 2004 - 15h34 GMT (12h34 Brasília)
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General dos EUA é suspensa por maus-tratos contra iraquianos
Prisão de Abu Gharib, no Iraque
Prisão de Abu Gharib era local de tortura nos dias de Saddam
Uma general americana foi suspensa no Iraque por causa da acusação de que prisioneiros iraquianos teriam sido maltratados por soldados americanos em uma cadeia sob sua direção.

Janis Karpinski, general de brigada, está entre sete oficiais sob investigação.

O Exército confirmou a suspensão depois que a emissora de televisão americana CBS exibiu fotos dos supostos atos de violência dos soldados dos Estados Unidos contra prisioneiros da prisão de Abu Gharib, perto da capital do Iraque, Bagdá.

Segundo a CBS, "dezenas" de fotos - tiradas por militares americanos - mostram prisioneiros com fios elétricos ligados a seus genitais, forçados a simular sexo oral, um detento sendo atacado por um cão e, em outra foto, um prisioneiro com um xingamento escrito sobre o corpo.

Várias fotos mostram soldados americanos observando e, aparentemente, aprovando a ação.

O Exército americano anunciou no mês passado que 17 soldados foram suspensos por causa das acusações.

"Horrorizado"

O general de brigada Mark Kimmitt disse à CBS que o Exército ficou "horrorizado" com o comportamento de seus soldados.

Kimmitt, vice-comandante das forças da coalizão no Iraque, disse que os supostos autores do abuso "desapontaram seus colegas".

Mas ele disse que os poucos suspeitos "não são representativos dos 150 mil soldados que estão aqui... Não julgue o seu Exército baseado nas ações de poucos", pediu ele aos americanos.

A prisão onde os abusos supostamente ocorreram foi um notório centro de tortura durante o regime de Saddam Hussein.

Bob Baer, um ex-agente da CIA com grande experiência no Iraque, disse à CBS: "Se havia alguma razão para derrubar Saddam Hussein, era Abu Gharib".

Reservista

A emissora falou com um dos seis soldados acusados, o sargento Chip Frederick, um reservista que trabalha em tempo integral como carcereiro no Estado americano da Virgínia.

Frederick disse que ele e seus colegas reservistas nunca foram informados como tratar os prisioneiros, ou que linhas eles não deveriam cruzar.

"Nós não tivemos nenhum treinamento", disse o reservista.

"Eu perguntava continuamente a minha cadeia de comando sobre algumas coisas ... como normas e regulamentos. E nada acontecia", disse.

Frederick disse que nunca viu uma cópia da Convenção de Genebra, que dispõem sobre o tratamento de prisioneiros, até o dia em que foi preso.

A investigação do Exército confirmou que reservistas em Abu Gharib não foram informados sobre as regras da Convenção de Genebra.

Comando

Segundo a CBS, uma investigação do Exército sobre Janis Karpinski concluiu que sua "falta de liderança e padrões claros" levou a problemas em Abu Gharib e em três outras prisões pelas quais ela era responsável.

Os policiais militares foram acusados pelo Exército americano de crimes que vão de agressão e maus tratos a atos indecorosos contra prisioneiros.

Os soldados em questão supostamente auxiliavam membros das agências de inteligência dos Estados Unidos que realizavam interrogatórios.

No mês passado, quando seis policiais militares foram acusados, um porta-voz do Exército disse que os supostos crimes envolveram menos de 20 prisioneiros e ocorreram entre novembro e dezembro.

As acusações incluem conspiração, crueldade, agressão e atos indecorosos.

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